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terça-feira, 26 de maio de 2009

DEFICIÊNCIA VISUAL - Artigo da LER PRA VER - CEGO PRECISA SEMPRE DE AJUDA ?


VEJAM MAIS SOBRE O ARTIGO DA LERPRAVER: CEGO NECESSITA SEMPRE DE AJUDA, EM :
http://www.lerparaver.com/node/7677

Entrevista a Filipe Azevedo, deficiente visual
Submetido em Domingo, 24/02/2008 - 23:24 por Lerparaver
Com o tema: Deficiência visual
"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.", in Ensaio sobre a cegueira de José Saramago

Feche os olhos e tente permanecer assim o máximo de tempo que conseguir.

Levante-se e caminhe, circule entre a escuridão. O objectivo deste exercício poderia servir para tentar imaginar o que poderá significar ser cego. Mas não serve. Porque se ficar desorientado, ou assustado ou tropeçar sobre um qualquer obstáculo pode sempre abrir os olhos e respirar fundo. Pode eventualmente servir para imaginar que se não pudesse voltar a olhar o mundo, a sensação de medo que sentiria. A escuridão para quem vê é algo muitas vezes aterrador, encolhemos perante o gigante, tudo parece ecoar no vazio e os sons ampliam no espaço. Tomamos os sentidos como dados adquiridos e falta a sensibilidade para construir um mundo mais acessível, mais justo para todos, onde nos possamos movimentar e aceder à informação com liberdade.

Em Portugal existem cerca de 163 mil cegos, e em todo o mundo 45 milhões e 180 milhões de amblíopes.

Uma pessoa cega é aquela que não possui potencial visual mas que pode, por vezes, ter uma percepção da luminosidade.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a deficiência visual engloba duas grandes categorias: a cegueira e a amblíopia (reduzida capacidade visual - qualquer que seja a origem - e que não melhora através de correcção óptica), diferenciadas em função dos critérios de "acuidade visual" (do melhor olho após correcção) e "campo visual".

De um ponto de vista do desenvolvimento da pessoa com deficiência visual, a Cegueira pode ser de três tipos: congénita (se surge dos 0 ao 1 ano de idade), precoce (se surge entre o 1º e o 3º ano de idade) ou adquirida (se surge após os 3 anos de idade). Uma pessoa com cegueira congénita, dada a ausência ou pouco referencial visual (imagem mental), possui uma representação intelectualizada do ambiente (cores, perspectivas, volumes, relevos) tem total ausência do conceito visual.

O Filipe Azevedo que nos guiou pelo seu mundo sofre de cegueira congénita. Tem 26 anos e não tem medo da escuridão porque não tem noção da escuridão. È telefonista na TUB (Transportes Urbanos de Braga) e mora com a sua cara-metade que também é cega.

No dia-a-dia fazem tudo sozinhos. "Às 7h30 levanto-me, depois apanho um autocarro para ir trabalhar e à noite volto. Nos tempos de lazer, gosto muito de informática e de música, durante muitos anos trabalhei na música, toco piano e órgão, já toquei em casamentos e bailes. Aqui na ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) temos um grupo de teatro e música. No computador tenho total autonomia, há softwares de leitura de voz, depois podemos acupular uma linha Braille, há impressoras Braille, leitores ópticos de caracteres. Também sou formador de informática para pessoas cegas, trabalho com computadores há 14 anos".

Na circulação pela cidade, para fazer o reconhecimento dos caminhos, "primeiro vou com alguém e faço uma ou duas vezes e decoro através de pontos de referência. Um cego não consegue circular sem pontos de referência. Aponto esses pontos ou não tenho problemas em perguntar a alguém. Prefiro perguntar três vezes do que ficar em casa".

Mas nas questões que envolvem a mobilidade, são muitos os obstáculos que limitam ou dificultam a circulação na cidade. Uma das carências que o Filipe sente em termos de mobilidade é a falta de passadeiras tácteis, "são este tipo de situações que o poder politico nem sabe que existem e são coisas muito simples que fazem a diferença.

Podia investir-se mais, aquando do Euro 2004 foram construídas passadeiras com rampas mas às não dá para detectar as rampas porque há uma série de obstáculos". Relativamente a acidentes, já teve vários: "já caí à linha de comboio, faltou o piso táctil. Na altura a CP prometeu que punha o piso, e é uma coisa muito simples de fazer, mesmo em termos económicos. Aqui na estação em Braga aquilo está muito mal feito. Às vezes detecto a beira do fosso da linha com a bengala.

Quando caí tinha uma mochila que amparou a queda e não me magoei muito mas fiquei traumatizado.

Os cegos andam muito de comboio, o que lhes permite ter muita autonomia.

As estações têm a linha amarela a sinalizar, mas se tivesse um piso de borracha, ia pela gare e dava para sentir a textura".

Mas nas questões da mobilidade Filipe aponta as obras como o maior problema, "as obras são um problema gravíssimo, é o principal problema. Há uma falta de sensibilidade de quem faz as leis. E ainda por cima, há pessoas que não têm sensibilidade nenhuma, deixam as caixas das carrinhas abertas, por exemplo. Depois de eu bater lá com a cabeça passam a ter mais cuidado, mas tenho que bater primeiro. E não percebo porque é que as obras demoram tanto tempo, anos até, as ruas às vezes ficam sem os passeios, o que me obriga a ir pela estrada. Depois temos os obstáculos, as caixas de electricidade que deviam ir até ao chão (para poderem ser detectadas com a bengala) e a sinalética inapropriada". Relativamente ao mau estacionamento de veículos, "acho o cúmulo estacionarem em cima da passadeira, não consigo conceber e o estacionamento em cima do passeio é uma questão de bom senso. Com a técnica correcta é fácil de detectar um automóvel".

Ao ver uma pessoa cega ou com outro tipo de deficiência a atravessar a estrada, por exemplo, o primeiro impulso é ajudar. Mas às vezes as coisas não são como parecem. "As pessoas ao verem um cego a procurar a passadeira tentam ajudar porque pensam que ele está perdido. São já muitos anos a conviver com isto, divertimo-nos e convivemos perfeitamente com isso. Ainda há cerca de três meses, ali no Arco da Porta Nova, eu costumo subir a rua das Carvalheiras para ir para a ACAPO e nesse dia ia para a Estação e comecei a descer a rua e uma senhora começou aos gritos a tentar-me indicar o caminho porque pensou que me tinha enganado. O problema às vezes são os comportamentos pouco discretos, as pessoas são capazes de falar a altos berros quando bastava falar ao tocar no braço. Quando isso acontece, fico envergonhado, como qualquer cidadão que quando é o centro das atenções na via pública se sente mal. As pessoas devem ser mais discretas, à partida, a cegueira não acarreta outras deficiências". Apesar destas falhas Filipe classifica Braga como uma boa cidade em termos de mobilidade "acho que tem sido feito um esforço.

O centro da cidade é pedonal, não temos passeios muito estreitos como no Porto. Mas os problemas de mobilidades não afectam só as pessoas cegas.

A cidade deve ser acessível a cegos, a carrinhos de bebés, cadeiras de rodas. A camada populacional a quem dizem respeito estas questões de mobilidade é muito abrangente".

Como bom exemplo aponta o protocolo que a ACAPO celebrou com os STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto) no dia 18 de Setembro de 2007 que visa promover a mobilidade dos cidadãos com deficiência visual, em especial no que concerne ao acesso aos transportes públicos de passageiros em modo de autocarro, que têm um sistema audível das paragens.

Outra questão que aponta concerne à televisão, "devia fazer-se a legendagem de idiomas na televisão, no caso do telejornal, a legendagem em voz off deveria sobrepor-se ao original noutro idioma. Há que democratizar o acesso à informação".

Mas as falhas também existem nas associações que debatem e sensibilizam para estas questões, "o associativismo das pessoas cegas já viveu melhores dias, não existe uma concertação estratégica para sugerir, pressionar, explicar estas questões, a sua importância, aí a culpa também é um bocado nossa. E há muitas pessoas que iriam ser potenciais beneficiadas mas não fazem pressão porque não querem admitir nada, porque se calhar têm algum complexo de inferioridade".

Mas há coisas que vão mudando em termos de mentalidade, ainda que muito lentamente, "as coisas não mudam de um dia para o outro. As pessoas cegas eram vistas de um modo muito condescendente, há uns anos eram pessoas que não estavam muito integradas. As pessoas habituaram-se a ver os cegos como pessoas um bocado sem vida própria. Conheço casos de pessoas com graves problemas de socialização e o grande entrave é a família. Há casos de famílias que não deixam o filho que é cego sair, às vezes os vizinhos pressionam ´o seu filho ainda é atropelado´. Às vezes até se reabilitar passa-se muitos anos, as famílias acham que não podem fazer mais nada".

Uma pessoa cega pode estar completamente inserida numa sociedade, em termos de emprego, "antes havia a ideia que um cego só podia ser telefonista ou massagista. É um bom emprego porque não implica grandes reajustamentos ou investimentos da parte da entidade empregadora. Mas podem ser psicólogos, advogados, professores, programadores, administrativos".

Filipe desconstrói aquela ideia muito presente no senso comum de que uma pessoa cega tem os outros sentidos sobredotados, "uma pessoa cega desenvolve maior capacidade de concentração e tendência par desenvolver mais o seu tacto. Leio Braille frequentemente porque estimulei os sentidos.

Em casa tenho só um detector de luz, uma balança falante, é preciso é fazer tudo com mais concentração, mais cuidado".

Quando lhe peço para classificar em termos hierárquicos os sentidos em termos de dificuldade na ausência a resposta foi surpreendentemente: "as dificuldades que um cego atravessa são um mimo comparadas com outras deficiências, como um tetraplégico ou uma pessoa surda. O sentido mais castrador quando em falta é a audição, a seguir a falta de mobilidade dos membros, depois a cegueira. Um surdo ou um paraplégico têm que ultrapassar mais obstáculos, lutar mais. Se tudo estivesse mais preparado, teriam menos dificuldades. Há rampas, por exemplo, que parecem o Monte Everest".

Relativamente aos cães guia, que acabam por ser uma das imagens "de marca" Filipe afirma que "cão guia não vai dar às pessoas mais mobilidade, os técnicos da escola só dão os cães a quem domina as técnicas de mobilidade, as vantagens são que eles detectam passadeiras, afastam dos obstáculos, decoram os caminhos, mas nós também. Um cão precisa de muitos cuidados, admito que é útil, mas a lista de espera para ter um é muito grande e acho que muitas vezes avaliam mal os casos, dão os cães a pessoas que não têm perfil".

Esta é uma pequena parte do mundo do Filipe. "A forma como criamos o mundo não é real. Eu sempre gostei muito de futebol e durante muitos anos nunca soube como era um campo de futebol, e quando fui a um campo soube que imaginei de maneira completamente diferente. Na altura em que comecei a andar de bengala o meu professor disse- me ´vais dar muitas cabeçadas por aí, mas o que importa é chegares onde tu queres.´"

Laura Machado
Nuno F. Veiga

Fonte: Semário "O Balcão"


Um estudante de design da Muthesius Academy of Art and Design na Alemanha, Sebastian Ritzler, criou uma bengala inteligente para deficientes visuais. A Mygo usa uma câmera-sensora para medir e analisar o chão e mandar as informações coletadas para o fone de ouvido sem fio do usuário.

A bengala tem uma pequena roda na ponta que ajuda na direção indicando o caminho. A Mygo tem altura ajustável, é resistente a impactos e à prova d’água. A bengala funciona durante 6 horas usando uma bateria de lithium-ion.

A Mygo, por enquanto, é um conceito e ainda não está sendo produzida. O criador quer produzir ela por volta de U$200 para que esteja ao alcance de todos.

Veja a reportagem na BusinessWeek

Via Gizmodo e Gadget Lab.

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domingo, 17 de maio de 2009

Perguntas Freqüentes sobre Acessibilidade na Web. Conheçam o site do MAC( BENGALA LEGAL)

Marco Antonio de Queiroz (MAQ).

http://www.acessibilidadelegal.com/40-faq.php

◦Para que serve acessibilidade na internet?
◦Acessibilidade na web é para cegos?
◦Existe legislação a respeito do assunto?
◦Sites acessíveis são necessariamente feios, sem cores e imagens?
◦O que é um leitor de tela? Um sintetizador de voz? E um Display Braille? Como funcionam?
◦Existe acessibilidade especial para leitores de tela?
◦O que a acessibilidade web tem a ver com visão estratégica de mercado?
◦Como fazer e testar acessibilidade na web?
◦O que o Google tem a ver com isso?

CÃO PARA SURDOS


Submetido em Sábado, 16/05/2009 - 12:14 por Sérgio Gonçalves

VEJAM O VÍDEO NO SITE :

http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=190276&headline=20&visual=9

Os cães de serviço e os cães para surdos fazem parte dos cães de assistência e dispõem de legislação própria.

Em Portugal são educados pela Ânimas (www.animaspt.org ), uma associação que também realiza programas de actividades e de terapias assistidas por animais.

A Ânimas tem sede no Porto mas os seus cães estão instalados na Quinta do Couvo, em Oliveira de Azeméis.

Kuka sabe exatamente a que velocidade caminhar. Nem mais depressa nem mais devagar do que os pequeníssimos passos de Maria do Céu. Sempre dócil e disponível. Sempre atenta e concentrada nas necessidades da sua companheira. Kuka trouxe a Maria do Céu uma tranquilidade que esta desconhecia, uma confiança que mudou a sua vida.

Aliviou-lhe o peso que os obstáculos representam, minimizou-lhe as adversidades. Física e psicologicamente. À função de cadela de serviço juntou a de companhia, até ganhar o estatuto de melhor amiga da sua utilizadora e deixar a psicóloga Maria do Céu em dificuldades para explicar a relação que se estabeleceu entre ela e esta labradora: "A Kuka faz parte do meu dia-a-dia, é quase uma extensão de mim... É uma companhia, mas é muito mais do que isso... Não consigo comparar a relação que tenho com ela a nenhuma outra...". As palavras são redutoras de algo que se tornou tão imenso. Maria do Céu tenta uma última definição para nos aproximar ao mundo de cumplicidade que ela e Kuka criaram: "A nossa relação é uma magia de afectos".

Tem razão Maria do Céu Seabra: não é fácil falar sobre sentimentos, menos ainda sobre sentimentos em estado puro, que são aqueles que os cães dedicam aos humanos que os cuidam e que estes lhes tentam devolver com intensidade idêntica. Não a ajuda sequer o seu treino profissional como psicóloga e terapeuta familiar (na CERCI da Póvoa de Santa Iria e como voluntária na Raríssimas, a Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras). Mas não ficam dúvidas que é especial a relação estabelecida com Kuka, uma labradora amarela que vai fazer seis anos. Ela é um dos três cães de serviço (ver caixa) treinados até ao momento pela Ânimas - Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social - cujo lema é uma síntese feliz da atitude dos cães: "Capaz de tudo por si".

E, em termos das suas funcionalidades técnicas, o que tem feito Kuka por Maria do Céu, 37 anos, neste ano e meio de coabitação? A primeira vez que vemos esta dupla feminina, a Kuka vem a desempenhar uma das suas tarefas mais importantes: transportar na boca a mala da sua utilizadora (e não dona porque os cães de assistência são cedidos, permanecendo pertença da Ânimas e da Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual -, as associações que em Portugal preparam estes cães). Maria do Céu fica assim com as mãos libertas para trazer um banquinho desmontável, que a ajuda a chegar a sítios mais altos, como sentar-se na cadeira do café onde nos encontramos.

O ar doce e a boa disposição da cadela, assinalada por um quase constante dar de cauda, conquistam atenções, tornam irresistível a vontade de fazer festas. Mas Maria do Céu rejeita o pedido e explica porquê. "Percebo que seja uma tentação fazer-lhe festas. Mas ela está a trabalhar e qualquer distracção pode pôr em risco a minha segurança". Um colete com a inscrição "cão de assistência" indica isso mesmo e deve funcionar como o passaporte que dá a estes cães acesso ilimitado a todos os locais. Para a Kuka, como para todos os cães de assistência, ter colocado o colete significa que está a trabalhar e só tem direito a descontrair quando este é retirado.

Todos os interruptores de luz e botões de elevadores estão colocados alto de mais para um anão com menos de um metro. Grande parte do mobiliário urbano continua a não cumprir a legislação das acessibilidades, frisa Maria do Céu. Kuka tornou a maioria deles acessível à psicóloga, que sofre de displasia diastrófica, um distúrbio que resulta em baixa estatura, como explica embora sem revelar a altura exacta. Esse foi um dos pedidos que fez quando foi entrevistada na Ânimas para se candidatar a um cão de serviço.

O educador da Kuka, Sebastião Castro Lemos - 57 anos, proprietário da Quinta do Couvo, em Oliveira de Azeméis, onde estão os cães da associação, da qual é voluntário - contou ao Expresso que teve de imaginar um sistema que servisse esta necessidade específica: a técnica de targeting, ou seja, tocar num alvo, foi completada com uma luz laser para indicar o alvo onde se deseja que o cão toque. Sebastião e Bruna - uma labrador com um ano que está a finalizar o treino de obediência e a começar a receber os primeiros ensinamentos para se tornar numa cadela de serviço - exemplificam o procedimento, mas sem o apontador a laser. No dia seguinte, é a vez de Maria do Céu e Kuka. As imagens que se seguem são únicas. Maria do Céu começa por fazer incidir no chão o ponto vermelho do laser tornando-o, assim, no foco de atenção de Kuka.

Imediatamente, aponta-o ao interruptor da luz e à ordem "toca", a cadela toca no botão e acende a luz. O mesmo acontece para chamar o elevador. A acção é repetida várias vezes para o repórter fotográfico e o operador de vídeo do Expresso conseguirem o melhor registo. Kuka dá o seu melhor - "ela está sempre disponível e são poucas as vezes em que acusa cansaço", sublinha Maria do Céu - e por isso vai sendo recompensada com grãos de ração, à laia de guloseima, o que acentua o carácter lúdico que este tipo de trabalho tem para um cão.

"Que querem ver mais?", pergunta a psicóloga, quebrando o silêncio provocado pelo espanto. Ficamos a saber que Kuka apanha objetos do chão, ajuda Maria do Céu a subir e descer escadas e lancis de passeios, a abrir as portas... "Já está tudo tão automatizado que, às tantas, nem me lembro de tudo o que a Kuka faz", conta a utilizadora. Nem precisa de dar todas as ordens. Kuka sabe, por exemplo, que a sua última tarefa no gabinete da psicóloga na CERCI, antes de subir para o banco de trás do automóvel de Maria do Céu para fazerem os 45 quilómetros de regresso a casa, é apagar a luz. E fá-lo como quem diz "vamos embora".

Na casa de Maria do Céu e dos pais sempre houve cães - atualmente têm a Becas, uma rafeira abandonada que a família acolheu - , mas a especificidade de um cão de serviço obrigou a um curso de acoplamento, três semanas de adaptação às funcionalidades técnicas e também de aprendizagem dos cuidados de que o canídeo necessita, como brincar entre 30 minutos a uma hora por dia para aliviar o stresse da sua missão.

"Antes tinha de antecipar tudo o que ia fazer, principalmente se ia a sítios novos... Agora, não penso nisso porque sei que a Kuka está lá para me ajudar. Houve uma mudança significativa na minha vida, mas não passei a fazer outras coisas, mas sim a fazer as coisas com despreocupação. Porque a Kuka está sempre comigo".

Lana é o único cão para surdos existente em Portugal. Desde há um ano que tem a missão especial de avisar o casal Baltazar - ambos surdos - quando toca a campainha da porta, o sinal avisador do microondas ou o alarme de incêndio. Ou, mas já por iniciativa da própria, quando há trovoada ou chega o peixeiro.

Ao contrário da Kuka, a Lana é irrequieta, tem um ar desafiador e só o colete mostra que é um cão de assistência. Como qualquer raça ou rafeiro pode desempenhar a função de cão para surdos, a pequena estatura desta pekinois de quatro anos funcionou como uma vantagem, pois os chamamentos de atenção são feitos com toques da pata, explica Liliana de Sousa, 55 anos, a bióloga fundadora e presidente da Ânimas. Já os cães de serviço são obrigatoriamente retriever do labrador - e quase em exclusivo os cães-guia para cegos -, dada as características da raça, como a inteligência e capacidade de aprendizagem, a afabilidade e o carácter.

No dia da visita da reportagem do Expresso à casa desta família de Valongo ninguém tinha a certeza se a coqueluche da casa se iria portar à altura. A razão é simples: se em casa estiverem pessoas da comunidade ouvinte, e desde logo Fernando Baltazar, o filho do casal que é intérprete de língua gestual, Lana pode aproveitar para se deixar ficar quieta. Quem o conta, a rir a bom rir, é o dono, Armando, 58 anos, reformado da banca e a frequentar na Universidade de Coimbra o Curso de Língua Gestual Portuguesa. A mulher, Maria da Glória, um ano mais nova e bancária, corrobora. Mas Lana não quis fazer feio, muito menos à frente do seu instrutor, Hugo Roby, 29 anos, educador de cães de profissão e voluntário na Ânimas. "Tive de perceber a realidade da família Baltazar e os seus problemas. E depois trabalhar em função disso". O primeiro passo foi um vulgar treino de obediência e de comportamento, só depois as necessidades especiais de quem não ouve. Ao fim de cerca de oito meses a ser educada por Hugo regressou a casa com as novas competências: a campainha da porta toca e ela corre na direcção de Armindo ou de Maria da Glória, empina-se e bate-lhes com a pata numa das pernas. É assim com todos os sons para que foi ensinada.

Lana era já a cadela da família. Chegou aos seis meses trazida pelo irmão gémeo de Fernando, na sequência de uma separação. "Eu, que tive um pastor alemão, fiquei a olhar para aquela coisa pequena e feia", recorda, bem humorado, Armindo Baltazar, repentinamente surdo aos 13 anos devido a um ataque de meningite violenta. Maria da Glória, que também perdeu a audição devido à meningite mas ainda bebé, aos 18 meses, apesar da grande dificuldade em se exprimir oralmente, deixa claro que está a sair em defesa da bicha de estimação e que nunca a achou feia. No fundo, sabe que o marido está a brincar e ambos mostram estar muito ligados a um animal que começou por ser apenas de estimação.

Sempre com a ajuda de Fernando Baltazar, 35 anos, como intérprete - função que exerce para o Ministério da Justiça e na televisão - essencialmente para colocar as nossas perguntas ao pai, uma vez que Armindo mantém parte da oralidade, ficamos a saber que este tem um longo percurso na Associação de Surdos do Porto e na Federação Portuguesa das Associações de Surdos e foi nesse âmbito que teve conhecimento do trabalho da Ânimas. "Às vezes as pessoas só protestam e não agem. Quis saber como era ter um cão assim treinado, até para dar o exemplo..." Na verdade não se pode dizer que a vida do casal Baltazar tenha mudado radicalmente com a nova Lana. "Mas poderia ter mudado se, como a maior parte dos não ouvintes, tivéssemos a casa toda adaptada com sinais luminosos e não apenas uma lâmpada na cozinha que avisa quando a campainha da porta toca...", defende Armindo Baltazar.

Há dez anos, era entregue o primeiro cão-guia para cegos. Hoje, a Escola de Cães-Guia para Cegos de Mortágua (da já referida ABAADV) já entregou mais de 70 cães e não tem mãos a medir, como explica o seu presidente, João Fonseca, 46 anos, veterinário e autarca. Mas os três educadores da escola só têm capacidade para preparar 12 cães por ano, com um custo estimado de 17.500 euros cada, mas entregue gratuitamente ao utilizador. O subsídio da Segurança Social por cada dupla cego/ cão-guia formada "representa apenas 65% dos custos totais da escola". Enquanto a Ânimas lamenta a falta de conhecimento por parte dos potenciais beneficiários dos seus cães, aqui é a lista de espera que aumenta.

Augusto Hortas, 58 anos, funcionário público há mais de 35, teve um descolamento de retina que rapidamente o levou à cegueira. Passou por um "desmoronar de castelos muito complicado", mas acabou por reagir quando percebeu que não era o único jovem a enfrentar tal provação. Fez o curso de Filosofia, casou com Arminda (que cegou aos 14 anos na sequência de uma meningite), teve dois filhos e entrou no associativismo, na conhecida ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal), através da qual se candidata a um cão-guia e se torna no primeiro utilizador português. E, por consequência, no primeiro cego a lutar pelo cumprimento da lei que permite a entrada destes cães a locais de acesso público e transportes. É num restaurante, com Lua deitada junto à mesa, que decorre esta conversa. Tem quase seis anos e é mais uma fêmea labradora desta reportagem: mais calmas do que os machos, têm a vantagem de ser mais pequenas e se acomodarem melhor, mas serem suficientemente grandes para possibilitar a devida comunicação, através do arnês, com a pessoa que guiam. O arnês é considerado a farda do cão-guia, que inclui um guizo para permitir ao cego saber sempre onde se encontra o seu cão.

"Muita coisa mudou nestes dez anos. Hoje as pessoas já sabem o que é um cão-guia e conhecem melhor os seus direitos", diz Augusto Hortas, desfiando histórias antigas de barramentos em restaurantes e recusa de transporte em táxis. A identificação dos prevaricadores pelas autoridades é o conselho que aprendeu à custa de ter perdido um processo contra o proprietário e motorista de um táxi que não o deixou o entrar, na altura ainda com Camila - a primeira cadela que se tornou nos seus olhos, expressão que usa com orgulho. Feito o estágio de adaptação (uma semana em Mortágua, outra em Vila Franca de Xira, onde reside, e sempre com a presença do educador), começou o dia-a-dia de Augusto com Camila, ela a levá-lo com segurança, de casa até ao comboio para Alverca, da estação para o Instituto do Emprego e Formação Profissional, onde trabalha como técnico superior, o inverso ao final do dia. "É estar sempre acompanhado por um amigo, a conversar... Em troca, estes cães apenas pedem comida e carinho."

A autonomia foi tal que deixou a bengala praticamente de lado, "mais do que devia". Quando Camila foi operada devido a uma ruptura de ligamentos e não o podia acompanhar, Augusto sentiu-se perdido: "Foi como voltar ao princípio, a reconhecer os caminhos e pontos de referência. Aprendi que a bengala é um objecto inerte mas útil, e desde então voltei a usá-la mais". Camila nunca recuperou devidamente e Lua veio substituí-la nas tarefas. Mas Augusto pensou em andar com as duas, para que Camila não se sentisse preterida. Em vão: as cadelas disputavam o direito a ir do lado esquerdo (o lugar que lhes compete como guia); aconselhado pelo educador Vítor Costa a levar ambas do lado esquerdo, lutavam pela posição junto à perna de Augusto... "A Camila tinha atitudes irreconhecíveis", recorda Augusto. Eram, afinal, já sintoma da doença maligna que a vitimou ao fim de sete anos e alguns meses a guiá-lo. "Foi o maior desgosto da minha vida". A confissão dolorosa é sublinhada pelo humedecer dos olhos. Augusto faz questão de frisar que apesar de ter sido enorme o desgosto que sentiu quando um médico lhe assegurou que ia ser cego toda a vida, foi maior o da perda da labradora. "Foi a perda de um familiar muito, muito próximo. Ela substituía realmente os meus olhos."

Os cães de assistência têm de ter prazer naquilo que fazem. Este é um dos segredos dos educadores, assim chamados nestas duas associações após a formação feita no estrangeiro, porque, salientam, treinadores há muitos, educadores muito poucos. "Eles vão passar o resto da vida a servir alguém", frisa Sabina Teixeira, 38 anos, da Escola de Cães-Guia para Cegos. Todos os dias, ela e Marta Ferreira, 32 anos, levam os "seus" cães para uma cidade vizinha para simularem, até no andar, o que significa guiar um cego, a missão que irão ter nos próximos oito, dez anos. Um treino técnico que não começa antes dos 12 meses e acontece após uma fase de socialização dos cães em famílias de acolhimento. Depois, durante cerca de um ano, educador e educando viverão diariamente a batalha pelas competências especiais, estabelecendo relações fortes e desejáveis porque, como diz Liliana de Sousa, "os cães não são robôs".

António Neves, 49 anos, um dos educadores da Ânimas e que faz igualmente voluntariado como técnico de atividades assistidas por animais na Associação Portuguesa de de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente, em Vila Real, sintetiza estes laços únicos: "Quando entregamos um cão é a chorar. Quem o recebe é também a chorar".

Cães de assistência
São, segundo o Decreto-Lei n.º 74/2007, de 27 de Março, cães que auxiliam pessoas com deficiência, caso dos cães-guia, cães para surdos e cães de serviço. Há uma quarta categoria, que a Ânimas quer trazer para Portugal, e que são os cães de alerta, cuja missão é avisar os utilizadores para a ocorrência de ataques de doenças como a epilepsia ou a diabetes.

Cães de Serviço: auxiliam pessoas com deficiência motora, realizando tarefas como abrir portas, recolher objectos do chão ou de locais inacessíveis, acender luzes, accionar elevadores, despir certas peças de vestuário, etc.

Cães para Surdos: alertam para o toque de campainhas, alarmes, choro de recém-nascido, etc.

Cães-Guia: conduzem o cego em segurança, evitando que choque com obstáculos e ajudando-o a encontrar locais, etc.

O conceito de cão de assistência abrange as seguintes categorias de cães:
a) Cão-guia, cão treinado ou em fase de treino para auxiliar pessoa com deficiência visual;

b) Cão para surdo, cão treinado ou em fase de treino para auxiliar pessoa com deficiência auditiva;

c) Cão de serviço, cão treinado ou em fase de treino para auxiliar pessoa com deficiência mental, orgânica ou motora.

VEJA MAIS EM :

http://www.inr.pt/bibliopac/diplomas/dl_74_2007.htm


(Mais em www.animaspt.org e www.caesguia.org )

Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Maio de 2009


Primeiro cão para surdos em Portugal

O primeiro cão para surdos, educado pela Ânimas (Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social), será entregue a um casal de surdos profundos bi-laterais, escreve a agência Lusa. De acordo com a presidente da instituição com sede no Porto, Liliana de Sousa, o cão foi educado durante sete meses.

Armando e Glória Baltazar, residentes em Valongo, recebem no próximo domingo a cadela Lana, raça Pekinois. A cerimónia será realizada na Quinta do Côvo em Oliveira de Azeméis, na qual está prevista a presença da secretária de Estado Adjunta da Reabilitação, Idália Moniz.

«O treino da cadela foi orientado para ajudar pessoas surdas nas tarefas diárias básicas, mas também em outras complementares», disse Liliana de Sousa. Após o treino, a cadela ficou em condições de «identificar, chamar, indicar fontes sonoras, como o micro-ondas, a campainha da porta ou um alarme de incêndio»

Segundo a presidente da Ânimas, os cães para estas funções podem ser de qualquer raça desde que «não tenham menos de sete meses, possuam um temperamento não agressivo e tenham uma sensibilidade auditiva média».

O presidente da Associação de Surdos do Porto (ASP), Ângelo Costa, defende que o Estado deve comparticipar «na base das ajudas técnicas» os interessados em adquirir cães de assistência a surdos. «É um passo importante para uma maior autonomia das pessoas surdas, em especial nos locais públicos onde a sinalização - sobretudo a de alarme - ainda é maioritariamente sonora», salientou o presidente da ASP.

A cadela que «fala» com surdos

Quando a campainha toca a Lana salta para as pernas dos donos dando sinal que está alguém à porta. Reagindo aos sons da campainha, do alarme de incêndio e do micro-ondas, a cadela avisa, da forma como foi instruída, qual o motivo do seu sobressalto, escreve Fernando Pinho da agência Lusa.

Lana é o mais «fiel amigo» de Armando e Glória Baltazar. «Vamos ter uma maior autonomia em todas as nossas actividades, porque a Lana vai dar-nos mais segurança quer em casa quer nas muitas deslocações que fazemos», afirma Armando, reformado bancário de 57 anos.

Educada por Hugo Roby, técnico da Ânimas, a Lana, que já vivia com o casal há dois anos e meio, reúne as características para as novas funções. «Um cão para este tipo de assistência tem que ter um grande equilíbrio auditivo, não se assustando com os sons, mas não lhes ficando indiferente», explicou o instrutor. Testes de carácter, sensibilidade auditiva e grau de agressividade são fundamentais para seleccionar um cão adequado a este serviço.

A Lana tem esse perfil e, por isso, «a adaptação está a ser fantástica, pois a cadela é muito inteligente e sensível», frisou Glória, funcionária de uma instituição bancária de 56 anos.

Com boletim e certificado, a cadela tem obrigatoriamente que ter um colete com a inscrição «cão de assistência», o que lhe permite circular em espaços públicos.

«Estamos imensamente felizes, porque quisemos ser pioneiros e servir de exemplo à comunidade surda», afirmou Armando Baltazar, esperançado que outros sigam este exemplo e convicto da compreensão da sociedade quanto ao uso destes cães.

Cerca de um ano após o casal ter contactado a Ânimas através da Associação de Surdos do Porto candidatando-se a ter um animal educado para este tipo de apoio, Armando e Glória Baltazar vão receber de braços abertos a Lana, agora já treinada como cão de assistência.

CONHEÇAM O SITE PARA CÃES PORTUGUES, "VIDA DE CÃO":

http://www.cpuc.org.pt/vida-cao.html

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Lançamento do Software Musibraille para CEGOS


VEJAM MAIS EM :


Será lançado no mês de julho, em Brasília, o Software Musibraille. O programa, criado pela coordenadora do Curso de Musicografia Braille da Escola de Música de Brasília, Dolores Tomé e pelo professor Antônio Borges do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem o objetivo de melhorar a situação do estudante com possibilidade de transcrição automatizada de textos musicais a partir do papel. O compositor ou arranjador cego também será beneficiado na medida em que suas obras poderão ser geradas na forma bi-modal (em Braille e em tinta) sendo consumidas também por músicos que não dominam a técnica Braille.



http://sentidos.uol.com.br/canais/materia.asp?codpag=13252&canal=ligado

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Seminário Nacional de Esporte Adaptado Para CEGOS e DEFICIENTES VISUAIS


VEJA MAIS EM :

http://www.cpb.org.br/comunicacao/noticias/seminario-nacional-de-esporte-para-deficientes-visuais

Seminário Nacional de Esporte
por Camila Benn — última modificação 13/05/2009 15:51
CBDC convida todos os interessados

A Confederação Brasileira de Desportos para Cegos (CBDC) convida todas as entidades filiadas, atletas, técnicos, dirigentes, estudantes universitários, profissionais de Educação Física, e demais interessados em adquirir conhecimento sobre o movimento, para o III Seminário Nacional de Esporte e Atividade Física para Cegos e Deficientes Visuais. O evento acontecerá nos dias 6 e 7 de junho, no Instituto de Cegos Padre Chico, na Rua Moreira de Godoy, 456 – Ipiranga – São Paulo / SP.



As inscrições podem ser feitas até às 18h do dia 3 de junho. É necessário preencher um formulário e enviá-lo por fax ou e-mail juntamente com o comprovante de depósito no valor de R$ 100, referente à taxa de inscrição.



As entidades que estiverem com a situação regular na CBDC (quitação do valor de anuidade) terão direito a uma vaga gratuita no Seminário. Os estudantes que apresentarem uma declaração de vínculo acadêmico ganharão um desconto de 20%.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Uma pessoa cega consegue ler um livro?




VEJA MAIS EM :

http://www.inr.pt/content/1/206/uma-pessoa-cega-consegue-ler-livro


Existem meninos e meninas que não vêem o mundo como tu. Alguns não conseguem ver todas as cores, outros confundem algumas cores, outros não conseguem ver sem óculos. Mas existem meninos e meninas que não conseguem ver nada. Se calhar conheces algum ou tens um colega na escola que é cego.
Estes meninos conseguem ter uma vida normal e fazer praticamente tudo o que tu fazes: podem ir à escola, brincar, ler, jogar, crescer, arranjar um emprego, casar e ter filhos. No fundo, não são tão diferentes de ti... apenas o fazem de forma diferente.
Queres saber mais sobre como uma pessoa cega vive o seu dia-a-dia? Como podes ajudar e perceber melhor os meninos cegos? Então acompanha-nos nesta aventura pela internet e encontra as respostas às tuas questões.

domingo, 29 de março de 2009

CEGOS E DEFICIENTES VISUAIS - CONHEÇA O SITE LER PARA VER UM DOS MAIS COMPLETOS DO PAÍS

INFORMAÇÕES SUPER ATUALIZADAS SOBRE TODAS AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS POR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL (DV)

VEJA MAIS EM :
http://www.lerparaver.com/