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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Loucos pela diversidade


O Ministério da Cultura, representado pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, em parceria com o Ministério da Saúde, representado pela Fundação Oswaldo Cruz – FIiocruz, por meio do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental [LAPS] e a Caixa Econômica Federal [CEF] lançaram o edital do I Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade 2009 – Edição Austregésilo Carrano. O anúncio fez parte do debate Loucura e Cultura que faz parte da Semana da Luta Antimanicomial, que neste ano tem como tema ‘Inclusão e Diver-Cidade’. O edital tem como objetivos promover uma nova visão de política cultural e da política de saúde mental onde o respeito à identidade e à diversidade constroem um país mais democrático no sentido de incluir, socializar, descentralizar e potencializar a todos o direito à criação e à produção cultural, promover e garantir o protagonismo das pessoas em sofrimento psíquico na construção das políticas públicas de cultura, na criação e produção cultural, entre outro que promovam a inclusão, a emancipação, a autonomia e o direito à cidadania de indivíduos em sofrimento psíquico.

Serão premiadas 55 iniciativas, divididas em quatro categorias. A primeira destinará sete prêmios para instituições públicas que atuam na interface saúde mental e cultura; na segunda oito prêmios serão destinados para organizações da sociedade civil, instituições privadas, entidades e associações sem fins lucrativos. A terceira categoria reservará 20 prêmios a grupos de pessoas sem vínculo institucional que tenham ou tenham tido vínculo como usuários de instituições ou serviços de saúde mental que desenvolvam atividades artístico-culturais.

As 20 premiações restantes serão destinadas para pessoas em sofrimento psíquico que tenham ou tiveram vínculo com instituições ou serviços de saúde mental que desenvolvam atividades artístico-culturais individualmente.

Nas categorias em que a premiação será destinada a instituições ou grupos de pessoas o valor será de R$ 15 mil, já para o prêmio individual o repasse será de R$ 7,5 mil. Cada candidato poderá inscrever-se em somente uma categoria e com até três iniciativas artísticas culturais. As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de julho

Informações no site www.cultura.gov.br, pelo telefone (61) 3316-2129, SID/MinC, e (21) 2260-5999 ou pelo correio loucospordiversidade@fiocruz.br, na Fiocruz.

terça-feira, 26 de maio de 2009

AVENTURA ESPECIAL - ESPORTES E DIVERSÕES PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA



VEJA MAIS SOBRE TURISMO ADAPTADO EM : http://www.aventuraespecial.org.br/

ONG AVENTURA ESPECIAL E MINISTÉRIO DO TURISMO IDENTIFICAM ADAPTAÇÕES PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO TURISMO DE AVENTURANOVO PRODUTO TURÍSTICO - TURÍSMO DE AVENTURA ADAPTADO

A ONG Aventura Especial trabalha para a inclusão de mais de 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, só no Brasil, no fascinante mundo do ecoturismo e do turismo de aventura.

O primeiro passo foi dado graças à realização do projeto Aventureiros Especiais, em convênio com o Ministério do Turismo, quando foram feitos vários testes de campo reunindo pessoas com deficiências física, sensorial, mental e múltipla. Entre eles, um amputado, um paraplégico, um tetraplégico, um visual, um surdocego, um com paralisia cerebral, um atáxico e um com Síndrome de Down. Todos praticaram modalidades de atividades de aventura, como rapel, rafting, tirolesa, bóia-cross, acqua-ride e off-road, com o intuito de apurar as necessidades de adaptações e condutas a serem seguidas pelos profissionais do turismo.

Acompanhados por uma equipe multidisciplinar de treze profissionais, entre integrantes da ONG Aventura Especial, fisioterapeutas, médicos e voluntários, foram levantadas as adaptações necessárias para viabilizar a prática das atividades por esse imenso público até então abandonado.

.NOVO PRODUTO TURÍSTICO - TURÍSMO DE AVENTURA ADAPTADO

A formatação desse novo produto turístico adaptado representa um estudo de campo inédito, que fará do Brasil referência internacional de turismo de aventura adaptado. O objetivo é sensibilizar a indústria do turismo para adaptar seus produtos e serviços e incentivar as pessoas com deficiência a praticar atividades que são prazerosas e, principalmente, seguras.

Além das adaptações físicas, como o desenvolvimento de uma cadeirinha para técnicas verticais e um colete com maior flutuabilidade na parte frontal (específicos para pessoas sem mobilidade no tronco ) e uma cadeira de uma roda para garantir fácil mobilidade nas trilhas, também foram criadas condutas e procedimentos de comunicação alternativa para interagir com as pessoas com deficiências sensoriais.

CURSOS E PALESTRAS

Com o objetivo de disseminar os conhecimentos adquiridos com todas essas experiências e implantar as adaptações em outros destinos, a Aventura Especial oferece às operadoras que queiram atender esse nicho de mercado palestras e cursos de capacitação para ensinar os procedimentos adequados para um receptivo que possa atender esse público com qualificação

TEXTOS - FOTOS - PESQUISA- VIDEOS

Antes de Viajar:Existem programas específicos para pessoas com deficiência?


Ainda não são muitas as empresas preparadas para receber pessoas com deficiência. A operadora Freeway (11/5088-0999, www.freeway.tur.br), especializada em roteiros ecológicos, tem um departamento voltado apenas para esse público. Ela estuda alternativas de adaptações para cadeirantes em trilhas e outros cenários da natureza, além de montar programas que incluem hotéis adaptados e atividades condizentes com as habilidades dessas pessoas. As viagens são criadas com idéias e acompanhamento de uma equipe especializada, incluindo uma médica fisiatra. Já a Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e o Cidadão Eficiente (11/3037-7857; www.cidadaoeficiente.com.br) dão assessoria para eventos, hotéis e empresas dispostas a se adaptar para receber este público.

Os aviões são adaptados para receber deficientes físicos?Caso precise de cadeira de rodas para entrar no avião, o passageiro ou responsável deve informar a companhia aérea da necessidade de atendimento especial logo que chegar ao check in.

A prática de esportes de aventura é aconselhável para deficientes físicos?Não é apenas aconselhável, como também necessária. Inclusive, os deficientes físicos têm encontrado nos esportes de aventura uma espécie de terapia. Com o estímulo natural que recebem durante as atividades, eles se sentem muito melhor e inclusive diminuem as limitações dos seu problemas específicos.

A coisa não é tão complicada quanto parece, porque os esportes só precisam de certas adaptações, por exemplo, um Santo Antônio na sela do cavalo, para o cavaleiro ter onde apoiar as mãos na cavalgada. No acqua ride (descida do rio de bruços sobre um minibote, usando as mãos como remos), uma fita com velcro mantém as pernas do esportista aberta para manter o seu equilíbrio.

Hoje existe até uma ONG criada com o objetivo de estimular a prática de esportes de aventura entre pessoas com deficiência: a Aventura Especial (www.aventuraespecial.org.br).




Publicado em 11/2007

Prática esportiva para deficientes e idosos é tema de seminário




Extraído de: Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo - 24 de Abril de 2009 O seminário Projetos de Esportes e Lazer continuou nesta sexta-feira, 24/4, debatendo desta vez os Programas Esportivos para a Terceira Idade e para Pessoas Deficientes e a Gestão Estratégica Municipal de Esporte e Lazer. O secretário estadual de Esportes, Lazer e Turismo, Claury Alves Silva, participou dos debates e apresentou o conjunto de iniciativas do órgão para o incentivo do desenvolvimento do desporto no Estado.

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O secretário detalhou as iniciativas do Executivo nesse sentido, como por exemplo o envio do projeto Bolsa Talento Esportivo à Assembleia. O PL 2/2009 tramita na Comissão de Constituição e Justiça e está em fase de exame pelo relator especial, deputado Fernando Capez (PSDB). O programa previsto pelo PL garantirá apoio financeiro a atletas de diversas modalidades esportivas, desde que vinculados a entidades esportivas ou órgãos gestores de esporte do Estado e seus municípios há pelo menos um ano, assegurando prioridade aos participantes de eventos incluídos no Calendário Oficial da Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo.

O evento contou também com a presença do deputado Rui Falcão, líder da bancada do PT na Assembleia.

O deputado, afirmando praticar atividade física três vezes por semana para agüentar o ritmo de trabalho da Casa, lamentou o fato de que "esporte e cultura são áreas relegadas no Orçamento do Estado". Ele destacou a importância do seminário para o desenvolvimento da formulação de políticas públicas dos municípios governados pelo PT, principalmente com a aproximação da realização da Copa Mundial de Futebol no Brasil, que "funcionaria como um catalisador para as ações positivas em relação ao esporte". Falcão avalia que a iniciativa do seminário traz um saldo muito grande e mostra o interesse do PT em que as áreas do esporte e da cultura não fiquem em segundo plano.

Prática esportiva e inclusão reversa

Elisabeth de Mattos, especialista na prática esportiva com pessoas deficientes como professora da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo, abordou o primeiro tema. "Analisando a interrelação do esporte com a saúde e a qualidade de vida creio que as políticas públicas devem englobar programas de atividades físicas e esportivas", declarou a especialista. Mattos acha que a prática esportiva traz ao deficiente, físico ou cognitivo, a habilidade física esportiva e o prazer desta habilidade, a melhora da auto-estima. "Foi a partir dos Jogos Olímpicos de Sidney que o Brasil começou a valorizar os atletas do Jogos Para-olímpicos os quais, ao contrário dos atletas convencionais, trouxeram medalhas de ouro para o país, mostrando que os deficientes podem ser vencedores e ter sucesso profissional", disse ela, afirmando também que "é um direito de todo o cidadão competir em práticas esportivas".

Mattos observa, ao longo de anos de experiência, que a prática de atividade física e de esportes competitivos auxilia as pessoas deficientes na convivência com seus problemas físicos, na conquista social de um convívio rico e cooperativo, introduzindo possibilidades novas de adaptação.

Em relação ao idoso, a professora disse que "quem é ativo pode retardar e sofrer menos pelo processo de envelhecimento", pois a atividade física minimiza a dependência e melhora a auto-estima, reduzindo o impacto do envelhecimento". Ela considera ainda que as diferenças sociais, econômicas, culturais e étnicas poderiam ser amenizadas através de políticas públicas e do convívio que elas propiciariam se contemplassem as necessidades dos diferentes grupos. Uma das propostas de Mattos é que se criem programas de políticas públicas que unam idosos e pessoas deficientes, para que a experiência e disponibilidade de tempo de uns colaborem para o bem estar e até mesmo para o desenvolvimento da prática esportiva em outros, ocupando os idosos de forma produtiva e gerando a "inclusão reversa".

A responsabilidade do município

José Roberto Gnecco, professor da Unesp Rio Claro e funcionário da Secretaria de Alto Rendimento do Ministério do Esporte apresentou uma sugestão de gestão de esporte para os secretários presentes, lembrando que só a Constituição de 1988 considerou esporte e lazer como um direito em que o cidadão deve ter garantidas a universalidade, a integralidade e a qualidade.

Gnecco sugeriu que o planejamento dos programas seja feito com bases nas demandas manifestas e latentes do município, e que se considere sempre os princípios de saúde e cultura, bem como a racionalização administrativa.

Para a implantação de um programa, "o município é o responsável por oportunizar a prática esportiva e o lazer, considerando o tempo livre da população", o que Gnecco exemplificou com uma tabela demonstrativa que atenderia às necessidades de todos os segmentos da população, sempre observando as variáveis de interesse, idade e disponibilidade de tempo.

Outra questão abordada por ele foi a da formação de equipes esportivas nas cidades, que também devem observar as especificações particulares e, sempre que possível, utilizar a experiência de atletas aposentados que podem ser referência para os jovens em treinamento, os quais devem receber também a educação formal e uma orientação profissional.

A Educação Olímpica e os Projetos da Secretaria Estadual dos Esportes foram os temas apresentados no período da tarde, que se encerrou com a entrega dos certificados aos participantes.

Approbo é a nova ferramenta contra os plágios acadêmicos


http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://sexualidademedular.files.wordpress.com/2008/09/cartaz_novo.jpg&imgrefurl=http://sexualidademedular.wordpress.com/&usg=__bBaBbHFOszQ_Z3blsahZTlWXp84=&h=3322&w=2349&sz=1066&hl=pt-BR&start=10&sig2=9W4bryU2b573fT6iUk4XEA&tbnid=hXrsASDmmufSeM:&tbnh=150&tbnw=106&prev=/images%3Fq%3DSEXUALIDADE%2Bdeficientes%2Bf%25C3%25ADsicos%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG&ei=Q_cbSrWNFM-gmAe-_aiHDQ

BAIXAR O APPROBO EM : http://approbo.citilab.eu/


O Approbo é uma nova aplicação gratuita que permite detectar plágios em trabalhos académicos. Se alguma frase ou parágrafo de um documento entregue por um aluno constar de alguma página web, este software denuncia imediatamente o plagiador.

O funcionamento da aplicação é simples: basta descarregar o Approbo da net, submete-se o documento que se pretende escrutinar e, com um click, em poucos segundos, fica a saber-se se o conteúdo do documento está online – seja em formato Microsoft Office, Adobe Reader ou OpenOffice – e onde é que está.

A aplicação disponibiliza ambos os textos – o original e a cópia – no ecrã, para que seja possível perceber a extensão do plágio. A ferramenta utiliza motores de busca para encontrar os pontos de coincidência com o texto original. A partir desse ponto, o Approbo verifica – palavra por palavra – todo o arquivo e mostra-o de forma gráfica, simplificando o trabalho ao utilizador. Quando se trabalha com documentos de grandes dimensões – teses de doutoramento, por exemplo – o processo poderá demorar um pouco mais a apresentar resultados, nunca passando, porém, dos dois minutos, garantem os seus criadores.

“Tentámos desenvolver uma ferramenta simples, intuitiva e que possa ser usada por qualquer pessoa”, assinalou o director-geral da empresa que desenvolveu o software, a Symmetric, de Barcelona, citado pelo elmundo.es

O Approbo é totalmente gratuito, tendo sido financiado pelo Citilab, um portal de educação online que, por sua vez, recebe financiamento de várias administrações públicas
Esta ferramenta foi idealizada a pensar na comunidade docente, que frequentemente lida com casos de plágio descarado. O Approbo poderá agora ajudar a combater este problema de forma mais consistente. “Desenvolvemos este software sobretudo para o contexto educativo”, explica o responsável da Symmetric, Josep Lluís Manso, citado pelo elmundo.es, acrescentando que “com a Internet, lidamos diariamente com fenómenos de copy-paste e, para isso, precisamos de ferramentas”. “Estamos a favor de que os documentos, quando são bons, se copiem… A única coisa que dizemos é que se citem as fontes”, sublinhou

SEXUALIDADE NAS LESÕES MEDULARES CONGÊNITAS: SPINA BIFIDA


Resumo:A sexualidade é uma vertente complexa que contempla múltiplas questões biopsicossoais. Em indivíduos com alterações do desenvolvimento do tubo neural, nomeadamente spina bifida, a construção da sexualidade está ainda pouco estudada. Este artigo apresenta uma revisão da literatura da última década, incidindo em 3 prioridades pertinentes: educação e informação; sexualidade e actividade sexual e saúde reprodutiva. A dimensão que a sexualidade assume na qualidade de vida dos indivíduos com spina bifida conduz-nos à necessidade de elaboração de modelos teórico-práticos que visem a educação e (in)formação, prioridades encontradas consensualmente em toda a literatura.

Abstract:
Human sexuality is a complex dimension, framed by multiple biopsychosocial factors. In individuals with alterations of the neural tube development, namely spina bifida, the organization and existence of the sexual experience is still little studied.This paper reflects a revision of international references produced during the last decade, focusing in three main priorities: education and information; sexuality and sexual activity; and reproductive health. The importance that sexuality assumes in the individuals with spina bifida quality of life, leads us to the construction of theoretical-practical models that aim education and (in)formation, as priorities found currently in the literature.


Palavras-chave: spina bifida e sexualidade; função sexual e spina bifida; saúde reprodutiva na spina bifida.
Keywords: spina bifida and sexuality; sexual function and spina bifida; spina bifida and reproductive health.



1. Metodologia
Dado os poucos recursos publicados na área da sexualidade na spina bifida, procedeu-se a uma pesquisa sistematizada na base de dados PubMed entre 1998 e 2008.

Os termos utilizados na pesquisa foram organizados em 3 explorações: spina bífida and sexuality; sexual function and spina bífida; spina bífida and reproductive health.

Desta recolha foram apurados16 artigos de onde emergiram 3 alvos de análise: Educação e Informação Sexual; Sexualidade e Actividade Sexual; e Saúde Reprodutiva. Outros artigos relacionados com a etiologia, epidemiologia, conceito e características da doença, foram ainda seleccionados. É de salientar que em todos os artigos nos deparamos com a limitação de pequenas amostras, o que pôde enviesar alguns resultados.


2. Introdução
A prevenção e o diagnóstico pré natal das doenças do tubo neural permitiram reduzir o número de pessoas afectadas. Em simultâneo, os progressos no conhecimento e nos tratamentos das deficiências que surgem em consequência da lesão do tubo neural, foi possível aumentar a esperança de vida dos portadores de spina bifida.

Esta doença pode condicionar alterações a diversos níveis, em consequência da lesão neurológica: esfincteriano, podendo condicionar incontinência urinária e/ou fecal; do aparelho locomotor, podendo condicionar limitação da mobilidade. Apesar destas dificuldades os portadores de spina bifida sentem necessidade de estar ao nível dos seus pares, nomeadamente no que concerne às relações emocionais e ao desempenho de uma vida sexual satisfatória.

O acesso à informação e à educação sexual pauta-se pelas alternativas à disposição que podem ser os profissionais de saúde, a escola e os familiares, no entanto com pouca especificidade relacionada com a spina bifida.

A saúde reprodutiva representa um aspecto relevante para estes doentes, englobando questões de fertilidade e de aconselhamento genético.


3. Spina bífida: conceito e características

A spina bifida compreende um grupo de múltiplas e complexas anomalias congénitas que afectam o desenvolvimento do tubo neural (mielodisplasias) e as estruturas relacionadas, durante a 3ª ou 4ª semanas de gravidez. Nas formas mais comuns de spina bífida encontramos a spina bifida oculta e a spina bifida cística, esta última dividindo-se em dois tipos: meningocelo e mielomeningocelo, conforme representadas na Imagem 1.



A spina bifida oculta consiste numa malformação de uma das vértebras que pode ser descoberta ocasionalmente através de algum exame radiológico ou de manifestações externas, como por exemplo um tufo piloso ou uma depressão na zona afectada. Raramente causa complicações.

Na spina bifida cística a aparência exterior revela uma protuberância (bolsa ou quisto) na face dorsal, que no meningocelo contém meninges e líquido cefalorraquidiano e não apresenta lesões graves das raízes nervosas. No mielomeningocelo, a bolsa, para além do líquido cefalorraquidiano e das meninges, contém raízes nervosas que podem condicionar a gravidade da deficiência.

Apesar do mielomeningocelo ser a forma mais grave e mais comum, Bowman, McLone, Grant, Tomita & Ito (2001) referem que pelo menos 75% das crianças nascidas com este tipo de spina bifida cística podem ter a expectativa de alcançar a vida adulta.

……..

……


CONDIÇÃO

SPINA BIFIDA OCULTA

SPINA BIFIDA CÍSTICA


MENINGOCELO

MIELOMENINGOCELO


Conteúdo da bolsa cística

Não há formação de bolsa cística.

Liquido cefalorraquidiano e meninges.

Liquido cefalorraquidiano, meninges e raízes nervosas da medula espinal.



Associações observadas

50% dos casos: angioma/ pigmentação/ pilosidade.


Tumefacção

coberta com uma camada de pele fina.

Tumefacção coberta com uma camada de pele fina; hidrocefalia em 90% dos casos.


Sintomas clínicos

Ausência de lesão neurológica.

Sem alterações neurológicas na ausência de outra malformação associada.


Paralisia motora; alterações sensitivas; incontinência esfincteriana.


Nível medular


Lombo-sagrada ou sagrada (L5 e S1).

75% nos segmentos lombar e lombo-sagrados.


75% nos segmentos lombar e lombo-sagrados.


Epidemiologia

Entre 5 a 10% da população.


Ocorre em menos de 10% dos casos de spina bífida.


Ocorre na grande maioria dos casos de spina bífida.


Quadro 1: Resumo das características da spina bifida.

4. Etiologia e epidemiologia

Há evidências na literatura que suportam a utilização do ácido fólico periconcepcional, entre 1 a 3 meses, até ao final do primeiro trimestre de gestação como prevenção (Ray, Singh, & Burrows, 2004). Porém, ao mesmo tempo que a investigação epidemiológica em spina bifida encontra associação com a deficiência deste suplemento, causas genéticas e ambientais são de igual modo consideradas na sua etiologia (Mitchell, 2005). Apesar da etiologia multifactorial, existe o risco recorrente de 1/30 para familiares em primeiro grau e de 1/220 para familiares de segundo grau (Shurtleff, 2004).

A prevalência de spina bifida no mundo, até 1998, apresentava valores mínimos de 0.77 em França e máximos de 15.25 no México, por cada 10.000 habitantes (de Jong, Chrzan, Klijn & Dik, 2008). Em Portugal encontram-se valores para os períodos entre 1992 e 1996 de 6.2 em cada 10.000 habitantes na zona centro, sendo que os dados referentes à totalidade do país apontam para uma prevalência de 9.4 por cada 10.000 habitantes entre 1997 e 1999 (Gonçalves & Alfaiate, 2007). Estudos epidemiológicos posteriores a estas datas não são conhecidos.


5. Educação e informação sexual
Apesar de iniciarem a sua actividade sexual mais tarde quando comparados com os seus pares, os homens portadores desta patologia possuem desejo sexual normal e mostram-se interessados em obter informação relacionada com a sua sexualidade (Bong & Rovner, 2007). As mulheres com spina bifida manifestam curiosidades e preocupações de ordem sexual e reprodutiva ao entrarem na adolescência e na idade adulta (Jackson & Mott, 2007).

Nas suas publicações que envolveram 51 jovens e 69 pais, Sawyer & Roberts (1999) sustentam que a escola é o maior veículo de informação (74%), porém apenas 8% dos inquiridos referem estar satisfeitos com as informações recebidas relacionadas especificamente com a sexualidade na spina bifida. A maior parte dos jovens (74%) e dos seus pais (59%) classificaram o seu conhecimento acerca da saúde sexual da spina bifida como ‘pobre’ ou ‘extremamente pobre’.

Outro estudo aconselha que os profissionais de saúde promovam informação acerca de comportamentos saudáveis e sexualidade junto dos familiares de doentes com spina bífida (Antle, Mills, Steele, Kalnins & Rossen, 2008a).

Para determinar o nível de conhecimento acerca da sexualidade, bem como o grau de acesso a informações desta natureza, Sawin, Buran, Brei & Fastenau (2002) avaliaram 60 adolescentes, 60% do sexo feminino e 40% do sexo masculino, com spina bifida, que indicaram ser seres sexuados tal como os seus pares (84%).

Referem ter conhecimento que devem utilizar métodos contraceptivos (82%) e que podem contrair doenças sexualmente transmissíveis (96%) se não se prevenirem através da utilização de preservativos, sendo que estes não devem ser de látex (72%). Por fim, 62% dos inquiridos consideram ser fácil para os adolescentes com spina bifida obterem informação acerca da sexualidade em geral.

Em Portugal, a maioria dos doentes considera ter um grau de conhecimento médio acerca da sexualidade em geral e aponta a escola, a família e os médicos como promotores desse conhecimento. No entanto, quando instados a revelar o contributo dos profissionais de saúde, 17 doentes dos 27 participantes (62,9%) respondem ‘pouco’ e ‘nenhum’. Setenta e quatro por cento destes doentes elegeram a sexualidade em doentes com spina bifida o tema que gostariam de ver mais debatido com os profissionais de saúde (Conceição et al., 2006).

O Modelo PLISSIT de J. Annon (Garrett & Teixeira, 2006), é sugerido como um instrumento útil na abordagem informativa e educativa junto destes doentes (Sawyer & Roberts, 1999; Sawin, Buran, Brei & Fastenau, 2002).


6. Sexualidade e actividade sexual
Não é propósito desta revisão incidir sobre os distintos desempenhos da sexualidade consoante o grau de incapacidade (na spina bifida oculta, no meningoncelo ou no mieolomeningocelo), no entanto apresenta-se um panorama da pesquisa efectuada:

No Quadro 2 observa-se a descrição dos doentes com spina bifida que são sexualmente activos e que apresentam problemas ao nível da função sexual de acordo com o seu nível da lesão. O grupo de spina bifida cística com hidrocefalia (AHC+) e o grupo com lesões altas (HLL) mantém menor actividade sexual que os restantes grupos. Os sujeitos sexualmente activos (homens) com AHC+ e com HLL, apresentam mais dificuldades na função sexual que os homens de outros grupos. Indivíduos do sexo masculino com spina bifida oculta não manifestaram problemas com a função sexual. Para as mulheres, a função sexual não representa diferenças significativas (Verhoef, Barf, Post, van Asbeck, Gooskens & Prevo, 2004).



Condição


AHC+

n=116


AHC-

n=23

OC

n=37

HLL

n=71

MLL

n=67

LLL

n038


% homens sexualmente activos


% mulheres sexualmente activas


Homens sexualmente activos


% problemas com erecção

% problemas com ejaculação

% problemas com orgasmo


Mulheres sexualmente activas


% problemas com lubrificação

% problemas com orgasmo

_______________________

60


46


n=28


29

39

43


n=32


6

47

93


89


n=13


8

15

8


n=8


0

38

100


88


n=12


0

0

0


n=22


14

23

46


44


n=13


39

54

54


n=19


5

47

86


66


n=25


16

24

20


n=25


12

36

94


82


n=15


0

0

7


n=18


6

28



Quadro 2 – Adaptação de Verhoef, Barf, Post, van Asbeck, Gooskens & Prevo, 2004.

AHC+ (spina bifida cística com hidrocefalia); AHC- (spina bifida cística sem hidrocefalia);

OC (spina bifida oculta); HLL (lesão de nível alto); MLL (lesão de nível médio); LLL (lesão de nível baixo)


Vinte e seis doentes foram objecto de estudo para avaliar a correlação entre a função sexual da spina bifida e a sensibilidade peniana ao toque, sabendo que o grau de rigidez na erecção e o orgasmo estão relacionados com o grau de sensibilidade apresentado (Shiomi, Hirayama, Fujimoto & Hirao, 2006).

Com o propósito de contribuir para a saúde sexual e a qualidade de vida, 3 doentes com lesões entre L1 e S2 e que associavam ausência de sensibilidade peniana, com sensibilidade normal na zona inguinal, foram submetidos a uma cirurgia que tinha por objectivo a recuperação da sensibilidade, fazendo a anastomose do nervo ilioinguinal ao nervo dorsal, na base do pénis.

Este bypass em doentes com spina bifida resultou num aumento na qualidade de vida sexual, bem como na auto-estima dos participantes (Overgoor, Kon, Cohen-Kettenis, Strijbos, de Boer & de Jong, 2006). Actualmente 15 doentes submeteram-se ao bypass, dos quais 12 recuperaram a sensibilidade peniana (de Jong, Chrzan, Klijn & Dik, 2008a).

Relativamente à terapêutica oral, Palmer, Kaplan, Firlit & Snyder (2000) e Bong & Rovner (2007) apontam para a eficácia do Sildenafil nos doentes de spina bífida com disfunção eréctil.

A insatisfação com a vida sexual toma valores elevados quando os doentes com spina bifida são confrontados com questões relativas à sua qualidade de vida. Em 180 doentes inquiridos, 55% manifestaram estar insatisfeitos com a sua vida sexual e 49% com os relacionamentos amorosos.

Nestes dois parâmetros de vida não há diferenças relacionadas com os tipos de spina bifida (Barf, Post, Verhoef, Jennekens-Schinkel, Gooskens, & Prevo, 2007). Alguns autores (Cardenas, Topolski, White, McLaughlin & Walker, 2008a) referem que as mulheres com spina bifida sentem maior satisfação na sua sexualidade, pelo que têm melhor percepção da sua qualidade de vida.

Em Portugal, apesar de 37% dos doentes estudados manifestarem insatisfação com a vida sexual, esta foi considerada como ‘importante’ (40,7%) e ‘muito importante’ (22,2%). A vida sexual satisfatória esbarra em obstáculos como a falta de autoconfiança, a incontinência fecal e urinária, o que faz com que um reduzido número de doentes (22,2%) tenha tido actividade sexual no último ano (Conceição et al., 2006).


7. Saúde reprodutiva
Pouca investigação tem sido feita relacionada com a saúde reprodutiva da mulher com spina bifida, apesar destas questões serem tão importantes para as mulheres com spina bifida como para as mulheres sem esta patologia (Jackson & Sipski, 2005; Jackson & Mott, 2007).

Na investigação de Sawyer & Roberts (1999) 57% dos participantes revelaram maiores preocupações relativas a questões de risco genético e de fertilidade.

Em relação a uma eventual gravidez indesejada 70% das 40 adolescentes que participaram no estudo afirmaram ter a noção de que se não tomarem precauções, essa possibilidade possa ser real. Cerca de 50% consideram a eventualidade de virem a ser pais e preocupam-se com as questões genéticas envolvidas, porém apenas 62% manifesta saber que deve adicionar um suplemento de ácido fólico à sua dieta diária (Sawin, Buran, Brei & Fastenau, 2002).

O curso da gravidez é semelhante ao das mulheres sem spina bifida, excepto pelo risco acrescido de infecções urinárias e úlceras de pressão. A recomendação é que o parto seja vaginal, para evitar complicações de ordem cirúrgica.

No caso dos homens, o melhor prognóstico para a fertilidade encontra-se no grupo das lesões sagradas; pelo contrário, as lesões acima de T10 apresentam risco de azoospermia (Bong & Rovner, 2007). A electroejaculação e a inseminação artificial são as técnicas mais utilizadas quando os sujeitos desejam experimentar a paternidade e não possuem esta capacidade de forma natural.


8. Discussão
Apesar de pouco vasta, a literatura disponível relacionada com a sexualidade na spina bifida, apresenta-se consensual nos grupos alvos de análise: Educação e Informação Sexual; Sexualidade e Actividade Sexual; e Saúde Reprodutiva.

Na área da educação e informação, estas são efectuadas na maior parte das vezes pela escola e pela família e não se relacionam com a especificidade da doença. Os doentes mostram-se interessados em obter conhecimentos relacionados com a sua sexualidade, sugerindo ser um tema que gostariam de ver discutido com os profissionais de saúde.

Apesar do desejo sexual ser considerado semelhante ao dos seus pares, os homens com spina bifida têm mais dificuldades no desempenho da actividade sexual devido à disfunção eréctil decorrente da doença. Resultados em avaliações da função sexual sugerem que problemas com a erecção, orgasmo e ejaculação, são mais frequentes em doentes com hidrocefalia ou lesões acima de L2.

As investigações experimentais com o objectivo de permitir a recuperação da sensibilidade peniana, podem modificar o curso da sexualidade nos doentes do sexo masculino, aumentando a percentagem de satisfação sexual e consequente qualidade de vida.

Problemas com a obtenção de orgasmo são mais comuns em mulheres com hidrocefalia, apesar desta condição se apresentar predictiva para uma maior actividade sexual.

Por fim, a incontinência esfincteriana e a falta de autoconfiança apresentam-se como os dois principais obstáculos na vivência da sexualidade do sujeito com spina bifida.

Relativamente à saúde reprodutiva, as maiores preocupações centram-se na fertilidade e nas questões de ordem genética, embora apenas um reduzido número de participantes conheça o suplemento de ácido fólico como um meio de prevenção para malformações do tubo neural.

Para os casos que desejam experimentar a paternidade, a electroejaculação pode ser uma alternativa a considerar nos homens e as mulheres são aconselhadas a vigiarem o aparelho urinário e a evitarem úlceras de pressão. O parto por cesariana deve ser evitado.


9. Conclusões

A sexualidade em doentes com spina bifida assume grande importância na sua qualidade de vida. Contudo, a prevalência de pessoas insatisfeitas nesta vertente impede que se estabeleçam contactos mais íntimos que possam permitir consistência nos relacionamentos.

A abordagem da sexualidade junto dos doentes com spina bífida mostra-se de extrema utilidade para que a educação seja eficaz. A utilização do Modelo PLISSIT pode representar a ferramenta ideal para questões desta natureza, já que promove informação, sugestões específicas e planos terapêuticos para cada sujeito.

O eterno tabu da sexualidade na deficiência




















Publicado por Ana G. em Dezembro 3, 2008
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Esse garoto é seu filho mesmo? A pergunta constrangedora, que poderia motivar até um teste de paternidade, já foi feita algumas vezes para Henrique* [nome fictício], durante passeios feitos com a família. A dúvida, no entanto, não vem da falta de semelhanças físicas entre ele e o seu filho, um menino de cinco meses, ou de outro motivo qualquer.

Há quatro anos, Henrique precisou utilizar cadeira de rodas. O agravamento em um problema no joelho esquerdo o impossibilitou de continuar se locomovendo de muletas e aparelho ortopédico, como fazia antes. O uso da cadeira, segundo ele, é o principal motivo de alguns conhecidos imaginarem que ele e sua esposa não têm vida sexual ativa.

Esta quarta-feira, 3 de dezembro, é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informam que 24,6 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, o que equivale a 14,5% da população nacional, percentual bastante superior aos levantamentos anteriores, nos quais se observava um contingente inferior a 2%.


Além dos problemas de acesso, portadores de deficiencia enfrentam preconceito na vida sexual

“Existe sim a cultura que deficiente não pode transar. Algumas mulheres, às vezes, não se aproximam de um cadeirante pelo fato de acreditar que o mesmo não pode ter relações sexuais”, comenta Henrique. A sexualidade, uma questão que não está presente nem mesmo nas estatísticas oficiais – que contemplam educação, moradia, emprego e até mesmo saúde –, não é levada em consideração na elaboração de políticas de inclusão.

A verdade é que muitas pessoas ainda ficam surpresas com o fato de o portador de deficiência sentir prazer. “Primeiro, porque a sexualidade é considerada um tabu na sociedade brasileira. É muito difícil discutir e conversar sobre isso. Depois, o deficiente, que já vive numa sociedade como esta, é encarado como coitado, incapaz, como aquele que tem dificuldades. Então, o sexo para ele passa a ser um tabu muito maior”, revela o fisioterapeuta Nildo Ribeiro, mestre em Distúrbios do Desenvolvimento e coordenador do Curso de Fisioterapia da Faculdade Social, em Salvador.

Às vezes, até mesmo os serviços de saúde ignoram o fato de que o deficiente tem grande parte da capacidade e da potencialidade sexual preservada. “Infelizmente, num conceito ainda antigo de saúde, o sexo não é uma das prioridades. Mas ele é, pois faz parte da saúde. A saúde deve ser vista como um todo, ela não é só a ausência da doença. A saúde é tudo: o lazer, o sexo, a vida como um todo”, explica Ribeiro.

Para ele, os serviços de reabilitação, que acompanham o indivíduo desde a ocorrência da lesão, precisam de profissionais específicos que o orientem sobre a sexualidade. Os profissionais deveriam se unir à família para ajudar na discussão deste e de outros problemas. “Precisamos desmistificar o deficiente, caso contrário ele se tornará um indivíduo retraído, que não se expõe, que não vai à rua, não paquera, porque acha que os outros não irão corresponder”, afirma.

Caso a caso – Entre os vários tipos de lesões e traumas que podem deixar uma pessoa dependente de cadeira de rodas, a lesão medular é a que traz maiores alterações e prejuízos do ponto de vista sexual.

A lesão medular, oriunda de traumatismos ráqueo-medulares ou tumores de medula, ocorre em áreas sensitivas importantes, além de afetar também a locomoção. “Da região lombar para baixo, ele não mexe. Da altura dos mamilos para baixo, não existe sensibilidade. É muito específica a lesão medular, diferentemente de um Traumatismo Craniano Encefálico (TCE) ou de um acidente vascular. Todas estas lesões são incapacitantes, trazem seqüelas”, cita o fisioterapeuta.

Outras lesões, localizadas na coxa ou na perna, facilmente preservam a sensibilidade da região genital. Pacientes hemiplégicos (que perderam os movimentos em um dos lados do corpo) também não costumam enfrentar problemas.

”A única diferença é que não podemos fazer posições sexuais que necessitam que fiquemos de pé. As demais fazemos com bastante amor e carinho. Garanto que é ainda bem mais prazeroso que muitos que não possuem nenhum tipo de deficiência”, diverte-se Henrique.
Publicado em Dezembro 3, 2008 às 4:00 pm e está arquivado em Divulgações, LVM - SCI, Publicações, Sexualidade - Função Sexual. Pode seguir as respostas a esta entrada através do RSS 2.0 feed. Você pode deixe uma resposta, ou trackback do seu prórpio site.

Tecnologia - Miss Ceará e a tecnologia que permite que surdos conversem pelo celular




tecnologia avança e facilita a vida das pessoas. Agora são os portadores de deficiência auditiva que passam, a partir de agora, a usufruir as facilidades proporcionadas pela telefonia móvel. Até agora os deficientes auditivos só podiam se comunicar através da linguagem dos sinais. A tecnologia 3G vai permitir a comunicação, também, através da vídeo conferência.



Foto:Dório Victor
Através da videoconferência, portadores de deficiência auditiva falam por sinais.

Dório Victor e Leopoldo Godoy do G1


Através do serviço de videoconferência, portadores de deficiência auditiva conseguem conversar pelo celular.

Somente há poucos meses o funcionário público Alexandre Lopes Pinto, 42 anos, começou a utilizar o telefone celular para conversar com seus amigos e parentes. Mas quem acha que ele estava “parado no tempo” está errado.
Alexandre, que mora no Rio, é portador de deficiência auditiva. Ele consegue falar pelo celular através do sistema de vídeoconfência, que o permite conversar em tempo real pelo aparelho.
“Só com o vídeo é que eu pude conversar em tempo real com outra pessoa pelo celular, porque eu utilizo a linguagem dos sinais. A pessoa tem que me ver para entender a mensagem”, disse Alexandre.


Os repórteres Alexandre e Nelson simulam uma conversa utilizando o serviço de videoconferência
(Foto: Dório Victor / G1)

O novo serviço é oferecido pelos telefones celulares que possuem a tecnologia 3G. Alex conta que, antes, os deficientes auditivos se comunicavam pelo celular através das mensagens instantâneas, mas tinha um grande problema.

“Para a maior parte dos deficientes auditivos, o Português é a segunda língua. A primeira é a Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Então, para muitos, existia a dificuldade de escrever corretamente frases longas, o que trazia transtornos e constrangimentos”, disse.



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Para Miss Ceará, surda desde o nascimento, ‘é um grande salto’.
Para ela, tecnologia vai facilitar comunicação

Segunda colocada no concurso Miss Brasil 2008, a Miss Ceará Vanessa Vidal é deficiente auditiva desde que nasceu. Para ela, o 3G é um grande salto, porque possibilita uma comunicação natural, sem intervenção de terceiros, por meio de videoconferência, facilitando a vida dos surdos em geral.

Vanessa Vidal é deficiente auditiva desde que nasceu: para ela, tecnologia facilitará o diálogo. (Foto: Divulgação)”É importante que esse sistema seja divulgado para todos os surdos e que todos possam usufruir dessa tecnologia, independentemente da sua classe social. Nós, os surdos, agradecemos esse grande avanço, pois ele facilitará o diálogo entre pessoas surdas e mesmo com aquelas que não tenham problemas auditivos”, explica a Miss Ceará, ressaltando que não utiliza o serviço porque ainda não é disponível em seu estado.

Para o ator Nelson Pimenta, 44 anos, que também é portador de deficiência auditiva, a nova tecnologia mudou bastante a sua vida. “Agora posso me comunicar diretamente com meus amigos e familiares”, disse. No entanto, ele considera um pouco caro o valor das ligações.

“Já gastei mais de R$ 250 em videochamadas, e não foram muitas”, disse.

Para muitos, o valor dos planos telefônicos que incluem este tipo de serviço também pode ser considerado um pouco oneroso. Por exemplo, um pacote de ligações de R$ 84,90 dá direito a apenas dez minutos de videochamada.

“Acho que poderia ter um desconto para os portadores de deficiência auditiva. Deveria ser criada uma lei para isso, porque este serviço é essencial para a nossa comunicação”, opina.

Vídeo é o “eldorado”
O telefone celular com tecnologia 3G, que permite a videoconferência entre os usuários, é a mais nova ferramenta para facilitar a comunicação dos portadores de deficiências auditivas.
Antes disso, no entanto, já havia outros produtos voltados para este público.

O mais popular é o TDD, sigla em inglês para “equipamento de telecomunicação para surdos”. Trata-se de um aparelho que, conectado ao telefone, transforma as frases ditas pelo interlocutor em mensagens escritas.

Dotado de um teclado e uma tela, também é possível digitar uma mensagem para outro usuário de TDD, ou ainda digitar a mensagem e transformá-la em voz para que seja ouvida pela pessoa do outro lado da linha.
Outra opção é o programa gratuito Rybená. Instalado em telefones celulares, ele permite que sejam enviadas mensagens na Linguagem Brasileira de Sinais. Ao receber o torpedo, em vez de texto, o portador de deficiência auditiva verá as mensagens em animações da língua de sinais.

No exterior, empresas também investem na criação de telefones especiais para quem tem perda parcial da audição. Além da consagrada tecnologia do ‘vibrafone’, que faz o aparelho vibrar em vez de tocar quando é recebida uma ligação, esses aparelhos incorporam correções automáticas de volume e tom para facilitar a audição.

SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA




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Falar sobre a sexualidade do portador de deficiência física implica necessariamente abordar o conceito sexualidade humana de forma ampla, em toda sua dimensão, ou seja, abrangendo os aspectos físico-biológicos, socioculturais, económicos e políticos. Nesse contexto, a sexualidade masculina ainda se confunde com a prática "machista", com todos os significados que este termo contém e que é tão sobejamente conhecido. A sexualidade feminina assume ainda contornos de submissão, repressão, sob a égide da dominação masculina que, contraditoriamente, explora o erotismo do corpo feminino em todos os níveis, transformando-o em objecto de prazer. A despeito das mudanças que se processam quanto à função social da mulher hoje, principalmente a partir do seu engajamento no mercado de trabalho e, decorrente, de seu papel mais participativo em termos de equidade com o homem no seio da família, permanecem ainda resquícios da sociedade patriarcal e autoritária da sociedade fálica. Estudos mostram que a sexualidade masculina é mais centrada nos órgãos genitais (no pénis), diferentemente da sexualidade feminina, que é mais difusa sobre seu corpo. O corpo predominantemente genitalizado do homem pode ser explicado em função de que este, independentemente de classe social, foi submetido, historicamente, ao processo de produção, foi canalizado para o trabalho. Indícios de mudanças aparecem na classe média, na qual este modelo começou a ser rompido a partir do questionamento das relações de género, provocando uma maior equidade no que se refere ao direito à gratificação sexual e à valorização orgásmica da mulher. Assim, a sexualidade masculina, como instrumento de dominação e poder, é uma postura sexual alienante. Essa alienação é parte constitutiva das sociedades que valorizam o trabalho em detrimento do prazer, negando o próprio corpo. São formas mascaradas de repressão, apesar da liberação sexual iniciada há três décadas com o advento da pílula anticoncepcional e a ascensão social e política da mulher. Esses valores atingem de modo severo os portadores de deficiência física (em consequência de danos neurológicos). Estes, a despeito das disfunções sexuais presentes em diferentes níveis, quanto à erecção, ejaculação, orgasmo e reprodução, mantêm a sua sexualidade latente, quando entendida no seu conceito ampliado. Há que se compreender, todavia, que, para o homem portador de deficiência física, tais limitações acarretam o sentimento de que lhe foi tirado o essencial de sua identidade masculina, construída culturalmente sob o significado simbólico do "poder do falo". Consequentemente, tiraram desse homem o "seu poder" nas relações sociais e interpessoais. Na mulher, o impacto da deficiência atinge a sexualidade na sua imediaticidade, ou seja, na sua aparência. Seu corpo, objecto de erotização, apresenta deformidades que o distanciam do modelo de "belo" e "perfeito" forjado pela cultura "machista" e pelo marketing das sociedades capitalistas. Este pano de fundo está implícito na manifestação da sexualidade humana e, como tal, necessita ser aprendido e compreendido pelos profissionais da Saúde, em especial por aqueles que actuam no processo de reabilitação dos portadores de deficiência física. É necessário que se incorporem acções terapêuticas voltadas para a reabilitação sexual dessas pessoas para ajudá-las a superar suas dificuldades. Assim procuramos caminhos para que possam exercitar a sua sexualidade o mais plenamente possível, com a obtenção do prazer físico e psíquico, factores contribuintes para sua reintegração social saudável.

SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA

Falar sobre a sexualidade do portador de deficiência física implica necessariamente abordar o conceito sexualidade humana de forma ampla, em toda sua dimensão, ou seja, abrangendo os aspectos físico-biológicos, socioculturais, económicos e políticos. Nesse contexto, a sexualidade masculina ainda se confunde com a prática "machista", com todos os significados que este termo contém e que é tão sobejamente conhecido. A sexualidade feminina assume ainda contornos de submissão, repressão, sob a égide da dominação masculina que, contraditoriamente, explora o erotismo do corpo feminino em todos os níveis, transformando-o em objecto de prazer. A despeito das mudanças que se processam quanto à função social da mulher hoje, principalmente a partir do seu engajamento no mercado de trabalho e, decorrente, de seu papel mais participativo em termos de equidade com o homem no seio da família, permanecem ainda resquícios da sociedade patriarcal e autoritária da sociedade fálica. Estudos mostram que a sexualidade masculina é mais centrada nos órgãos genitais (no pénis), diferentemente da sexualidade feminina, que é mais difusa sobre seu corpo. O corpo predominantemente genitalizado do homem pode ser explicado em função de que este, independentemente de classe social, foi submetido, historicamente, ao processo de produção, foi canalizado para o trabalho. Indícios de mudanças aparecem na classe média, na qual este modelo começou a ser rompido a partir do questionamento das relações de género, provocando uma maior equidade no que se refere ao direito à gratificação sexual e à valorização orgásmica da mulher. Assim, a sexualidade masculina, como instrumento de dominação e poder, é uma postura sexual alienante. Essa alienação é parte constitutiva das sociedades que valorizam o trabalho em detrimento do prazer, negando o próprio corpo. São formas mascaradas de repressão, apesar da liberação sexual iniciada há três décadas com o advento da pílula anticoncepcional e a ascensão social e política da mulher. Esses valores atingem de modo severo os portadores de deficiência física (em consequência de danos neurológicos). Estes, a despeito das disfunções sexuais presentes em diferentes níveis, quanto à erecção, ejaculação, orgasmo e reprodução, mantêm a sua sexualidade latente, quando entendida no seu conceito ampliado. Há que se compreender, todavia, que, para o homem portador de deficiência física, tais limitações acarretam o sentimento de que lhe foi tirado o essencial de sua identidade masculina, construída culturalmente sob o significado simbólico do "poder do falo". Consequentemente, tiraram desse homem o "seu poder" nas relações sociais e interpessoais. Na mulher, o impacto da deficiência atinge a sexualidade na sua imediaticidade, ou seja, na sua aparência. Seu corpo, objecto de erotização, apresenta deformidades que o distanciam do modelo de "belo" e "perfeito" forjado pela cultura "machista" e pelo marketing das sociedades capitalistas. Este pano de fundo está implícito na manifestação da sexualidade humana e, como tal, necessita ser aprendido e compreendido pelos profissionais da Saúde, em especial por aqueles que actuam no processo de reabilitação dos portadores de deficiência física. É necessário que se incorporem acções terapêuticas voltadas para a reabilitação sexual dessas pessoas para ajudá-las a superar suas dificuldades. Assim procuramos caminhos para que possam exercitar a sua sexualidade o mais plenamente possível, com a obtenção do prazer físico e psíquico, factores contribuintes para sua reintegração social saudável.

EDUCAÇÃO E SAÚDE SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES SURDOS


Para Miss Ceará, surda desde o nascimento, ‘é um grande salto’.
Para ela, tecnologia vai facilitar comunicação.

Segunda colocada no concurso Miss Brasil 2008, a Miss Ceará Vanessa Vidal é deficiente auditiva desde que nasceu. No Ensino, as questões relacionadas à sexualidade têm sido trabalhadas, durante estes anos, na sala de aula. No caso de alunos menores, o assunto era tratado pelo próprio professor da classe, com a supervisão do Orientador Educacional. No caso de adolescentes, o tema era abordado por professores com os quais eles manifestavam uma relação de maior afinidade e confiança. Os temas abordados eram introduzidos e aprofundados, na medida em que o próprio grupo desencadeava questões de seu interesse, o que não acontecia com frequência. Reflectindo sobre a importância de se criar um espaço para abordar estas questões, em virtude também da nossa realidade social actual, haja vista o crescente número de casos de sida e gravidez entre adolescentes, viabilizamos então a proposta de inclusão deste tema no currículo escolar, a partir dos novos Parâmetros Curriculares Nacionais, que vieram não só confirmar esta necessidade, mas também orientar professores e a equipa pedagógica na sistematização deste projecto. A escolha do profissional escolhido para este trabalho foi determinada a partir de um perfil que, além do vínculo afectivo com esta clientela, também incluísse a formação em Orientação Educacional e experiência com adolescentes. O Programa de Educação e Saúde Sexual tem como objectivos principais possibilitar ao aluno, a partir dos valores que trazem de casa, não só acalmar as suas ansiedades, conhecendo o seu corpo, conferindo os seus sentimentos e pesquisando informações para as suas dúvidas e conflitos, mas também favorecer a reflexão sobre a sua sexualidade de uma forma mais ampla, possibilitando assim o exercício da sexualidade de forma mais respeitosa e prazerosa. Cabe ao educador responsável por este trabalho informar, promover debates, reflexões e investigações sobre variados temas, bem como possibilitar a ampliação do conhecimento do aluno a respeito das diferentes culturas e valores existentes nos diversos grupos sociais, levando-o a questionar opções e tornando-o capaz de escolher seu próprio caminho. Respeitando a diversidade dos grupos enquanto maturidade física, cognitiva e emocional, este trabalho vem sendo desenvolvido a partir das dúvidas e curiosidades trazidas pelos grupos, aprofundando-as e discutindo-as na medida em que vão surgindo. Temas como diferenças sexuais, concepção, fecundação e gravidez têm sido uma constante no trabalho com alunos pouco maduros, que ainda não têm manifestado interesse em debater a sua própria sexualidade. Já com alunos mais maduros, o foco de interesse encontra-se justamente em sua própria sexualidade. Têm surgido principalmente dúvidas quanto a relação sexual, virgindade, masturbação, anticoncepcionais, sida e gravidez. Temas como Doenças Sexualmente Transmissíveis, prostituição, intimidade e pornografia também foram abordados. Num clima de respeito e interesse entre o grupo, estes temas têm sido trabalhados através de diversas metodologias, entre elas: pesquisas, debates, leitura de materiais levados pelo grupo, confecção de materiais, filmes e troca de experiências entre as classes. As avaliações têm ocorrido durante todo o processo, quando o aluno pode manifestar-se oralmente ou por escrito sobre novos temas de interesse, dúvidas em relação ao tema trabalhado e sobre sua própria dificuldade ou não em participar de cada metodologia. Porém é consenso que este trabalho veio não só auxiliá-los em relação ao conhecimento de si mesmos e nas suas dúvidas, mas principalmente capacitá-los, a partir deste conhecimento, a discernir e optar por aquilo que consideram o melhor para si mesmos.

O ADOLESCENTE COM DEFICIÊNCIA MENTAL E SUA SEXUALIDADE

vejam mais sobre sexualidade de pessoas com deficiência mental em http://deficiencia.no.comunidades.net/index.php?pagina=1043436994
O deficiente mental, como qualquer outro indivíduo, tem necessidade de expressar seus sentimentos de modo próprio e intransferível. A repressão da sexualidade, nestes indivíduos, pode alterar seu equilíbrio interno, diminuindo as possibilidades de se tornar um ser psiquicamente integral. Por outro lado, quando bem encaminhada, a sexualidade melhora o desenvolvimento afectivo, facilitando a capacidade de se relacionar, melhorando a auto-estima e a adequação à sociedade. A discussão do tema sexualidade em nossa cultura vem acompanhada de preconceito e discriminação. Quando o tema passa a ser sexualidade no deficiente mental, o preconceito e a discriminação são intensificados e geram polémica quanto às diferentes formas de abordá-lo, tanto com os próprios adolescentes, quanto com suas famílias e na escola. É importante lembrar que a sexualidade é uma função natural, existente em todos os indivíduos. Pode-se expressar no seu componente afectivo, erótico ou afetivo-erótico. Dois entendidos, apontam a importância de reconhecer que nem todas as pessoas deficientes são semelhantes nas suas capacidades de aprendizado e independência, estabilidade emocional e habilidade social. Apesar das diferenças entre os deficientes, quase todos são capazes de aprender a desenvolver algum nível de habilidade social e conhecimento sexual. Isso pode incluir habilidade para diferenciar comportamento apropriado e não apropriado e para desenvolver um senso de responsabilidade de cuidados pessoais e relacionamento com os outros. A melhora dos cuidados de saúde e o avanço social que as pessoas com deficiência mental vêm alcançando, nas últimas décadas, têm sido muito grande. Actualmente, por meio do processo de inclusão social, os deficientes mentais leves e moderados são capazes de viver integrados na comunidade e, portanto, expostos a riscos, liberdades e responsabilidades. Essas pessoas, durante a adolescência, devem conhecer as transformações físicas e sociais que ocorrem neste período particular de vida.
Um dos referidos anteriormente, discute algumas das crenças mais comuns, relacionadas à sexualidade e deficiência:

Crença 1: Jovens com deficiência não são sexualmente ativos.Embora alguns adolescentes, com deficiência profunda, possam ser menos aptos que seus pares para serem sexualmente activos, a crença é infundada, pois não se deve assumir que a condição de deficiência por si só, preveja o comportamento sexual.

Crença 2: As aspirações sociais e sexuais de pessoas com deficiência são diferentes dos seus pares.Apesar do isolamento social que muitos deficientes vivenciam, estudos demonstram que estes jovens gostariam de ter relações sexuais, de casar e de ter filhos. Na verdade, o que ocorre é que essas pessoas têm menos oportunidades de explorar alguma relação com seus semelhantes, o que dificulta o alcance de suas aspirações.

Crença 3: Problemas quanto à expressão sexual do deficiente ocorrem em função de sua deficiência.Estudos demonstram que problemas físicos e mentais têm menor influência sobre a expressão sexual do deficiente do que sua integração social. Os deficientes têm maior possibilidade do que os jovens "normais" de ficar isolados da sociedade. Se a expressão sexual ocorre num contexto social, então o isolamento tem, como consequência, a incapacidade do deficiente em aprender e desenvolver habilidades sociais. A conduta sexual é aprendida, formada e reforçada por factores ambientais. Os ambientes integrados oferecem maiores probabilidades de reforçar condutas integradas.

Crença 4: Pais de adolescentes com deficiência proporcionam suficiente educação sexual para seus filhos.Uma das consequências do isolamento social, para estes jovens, é que eles recebem menos informações sobre sexualidade, reprodução, contracepção e prevenção da sida. Estudos mostram que a maioria dos jovens deficientes nunca recebeu educação sexual.

Crença 5: Jovens com deficiências são sexualmente vulneráveis a assédios sexuais.
Essa preocupação sobre a vulnerabilidade de adolescentes deficientes parece ter fundamento. Portanto, o médico que trabalha com esses jovens deve discutir essas preocupações com eles e com seus pais e não esperar que os pais expressem esses receios. Para alguns adolescentes, apenas a educação sexual será suficiente. Para outros, precisará ser complementado com contracepção. Por tudo isso, fica claro que, desde muito cedo, esses adolescentes necessitam conhecer atitudes saudáveis em relação ao seu corpo e às funções desse corpo. Qualquer que possa ser o interesse ou o conhecimento sexual desses jovens, eles devem entender tudo o que for possível sobre sexualidade. Se a eles é oferecida a vantagem da integração, também devem ser orientados em relação a habilidades e atitudes de comportamento social apropriada.

Entenda a síndrome de Down








A probabilidade de uma mulher Down gerar um bebê com a síndrome é de 50%. Desses, pelo menos metade não chega a nascer

O que é: um acidente genético durante a divisão celular do embrião. Células normais têm 46 cromossomos divididos em 23 pares. O Down tem um cromossomo extra. Pelo menos metade dos Downs não chega a nascer, pois a mãe sofre aborto

Causa: não existe uma causa. O risco está relacionado à idade materna e é maior nos extremos da vida reprodutiva. Mulheres de 19 a 24 anos dão à luz um bebê Down a cada 1.752 nascidos vivos. Aos 46 anos, a probabilidade é de um Down a cada 33
Diagnóstico: é possível fazer durante a gravidez ou após o parto. Neste caso, são observadas as características físicas do bebê, como hipotonia muscular, fenda palpebral oblíqua e língua protrusa. A confirmação pode ser feita pelo estudo dos cromossomos
Desenvolvimento: Down não é uma doença e não tem cura. Problemas de visão e audição e moléstias cardíacas e respiratórias são mais freqüentes nas pessoas que têm a síndrome. Quase metade dos bebês Downs tem cardiopatia congênita
Tratamento: as funções motoras e mentais de um Down se desenvolvem mais lentamente, por isso a estimulação precoce com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional é fundamental. Os pais devem encorajar ao máximo a independência do filho Down
Fertilidade: um terço das mulheres Downs é fértil. Um terço ovula irregularmente. E um terço não ovula. Metade dos embriões de mães Downs tem a síndrome. Homens, normalmente, são estéreis. Na literatura médica há apenas três casos descritos de pais Downs
Fontes: William I. Cohen (Down Syndrome Center, Universidade de Pittsburgh, EUA) e geneticistas Zan Mustacchi (Hospital Infantil Darcy Vargas) e Juan Llerena Jr. (Fiocruz/RJ)


MAMÃE É DOWN :

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As recentes conquistas dos Downs devem levar a novos debates. Um dos mais urgentes é sobre a sexualidade e os direitos reprodutivos. Quem deve decidir se eles podem ou não ter relações sexuais e filhos? “É como se colocássemos nessas pessoas um status permanente de crianças, dependência e impossibilidade de escolha”, afirma Débora Diniz, antropóloga e professora de Bioética da Universidade de Brasília. Cada caso é único. E a resposta para cada um deles não deve ser padronizada.

Pela lei, os direitos reprodutivos dos deficientes intelectuais são os mesmos de qualquer cidadão. A Justiça, no entanto, costuma presumir que nas relações sexuais de não-deficientes com deficientes está embutido algum tipo de abuso. Mesmo quando o sexo é “consentido”, a interpretação freqüente é que a permissão pode ter sido dada por ingenuidade. “Para grande parte da população, a deficiência intelectual justifica a imposição de outros limites”, diz Mustacchi. De acordo com o médico, por trás dos questionamentos sobre os direitos sexuais e reprodutivos dos deficientes há duas perguntas: “Quem vai cuidar do bebê?” e “E se ele também for deficiente?”.

Quando descobriu a gravidez de Gabriela, essas dúvidas tiraram o sono de Laurinda. A avó de Valentina achava que, aos 51 anos, não teria força para educar uma criança. O apoio veio dos dois filhos e de amigos. A casa de Laurinda vive cheia. É um entra-e-sai o dia inteiro. Todos querem cuidar um pouquinho de Valentina. Carlos Alberto Demate Júnior, o filho mais velho de Laurinda, é padrinho da menina. Acabou se tornando seu segundo pai. “O que mais me preocupa é a estrutura emocional de Valentina. Como, na infância e na adolescência, ela vai lidar com o fato de ter pais excepcionais?”, diz. “Ela pode achar o máximo eles terem vencido uma barreira – ou pode sentir vergonha”.

Gabriela faz parte da primeira geração Down que tem
relacionamentos estáveis e está formando famílias
Valentina nasceu no dia 19 de março, às 19h12. Logo depois do almoço, Laurinda notou que a filha entrara em trabalho de parto. Policiais foram abrindo caminho na estrada entre Socorro e Campinas para o carro passar. “Me ajuda, por favor, a gravidez é de risco”, gritava a avó. Não adiantou chegar rápido à maternidade. Gabriela teve de esperar horas até que seu organismo digerisse os dois pratos de comida mineira (tutu de feijão, bacon e carne de porco) antes da cesárea. Como nos últimos dias de gravidez ela ficou hospedada no sítio da mãe, Fábio soube do nascimento da filha perto da meia-noite. Aos prantos, pediu que um amigo o levasse ao hospital.

Gabriela é a primeira mulher na vida de Fábio. “A gente nunca o deixava sair sozinho de casa”, diz o motorista Mauro de Moraes, de 52 anos, o pai. “Ele mudou depois que começou a namorar Gabriela. Ficou mais independente e parece que está mais inteligente”. Durante a sessão de fotos para esta reportagem, Fábio se interessou pelo notebook e pela câmera do fotógrafo. Fez várias perguntas sobre tecnologia. Logo que Valentina nasceu, Fábio pediu uma câmera digital para o pai. Com ela, o rapaz registra as imagens da filha.

À noite, Gabriela e Fábio freqüentam a mesma escola. Ela está no 4º ano do ensino fundamental. Ele, no 1º. O casal leva uma vida singela. Na choperia do tio Vlad, Fábio toma refrigerante ou cerveja sem álcool. Gabriela escolhe amarula ou batida de maracujá. O gosto pelo sanduíche é idêntico: x-frango. O dele com alface. O dela, sem. Um dos passeios prediletos dos dois é zanzar pela Praça da Matriz, na frente da casa de Laurinda e Valentina. Todas as quartas-feiras, o casal ajuda o padre na missa. O sonho dos dois é se casar na igreja. Mas não serve um casamento modesto. Tem de aparecer na TV. “A gente já mandou até uma carta para o Gugu”, diz Gabriela.

Fonte: Revista Época

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Mamãe é Down



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Há no mundo cerca de 30 casos documentados de mulheres com a síndrome que deram à luz. Uma delas é Maria Gabriela, mulher de Fábio e mãe da pequena Valentina

EM FAMÍLIA
Valentina não herdou a deficiência intelectual do pai, Fábio, nem a síndrome de Down da mãe, Gabriela

Tio, a barriga da Gabriela está dando socos. ”Foi assim, no meio de um bate-papo inocente, que o estudante Fábio Marchete de Moraes, de 28 anos, deixou escapar que ele e a mulher brincavam de “examinar” o ventre dela. Fábio não imaginava que as pancadinhas partiam de uma criança em gestação. Maria Gabriela Andrade Demate, a dona da barriga, também de 28 anos, não fazia idéia de que estava grávida. Embora estivessem juntos havia três anos, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, Fábio e Gabriela acreditavam que o sexo entre eles fosse proibido. Seus pais nunca tinham dito, de maneira explícita, que permitiam esse tipo de intimidade. Gabriela tem síndrome de Down. Fábio é deficiente intelectual.

Foi por desconfiar do abdome saliente de Gabriela que o amigo de Fábio procurou a mãe da jovem. “Os dois vêm a minha choperia quase todos os dias e me chamam de tio”, diz Vlademir Cypriano. “Eles me contam coisas que não falam para mais ninguém.” Um teste de farmácia, comprado às pressas, não foi suficiente para eliminar a suspeita. “Mesmo vendo as duas listrinhas do exame, não acreditava que a minha filha estivesse grávida”, afirma Laurinda Ferreira de Andrade. “Levei Gabriela a três ginecologistas e nenhum deu certeza de que ela pudesse ter um bebê. Percebi que estava ficando mais gordinha. Mas achei que fosse por comer demais”. A gestação avançada, descoberta aos seis meses, gerou pânico e encheu a família de dúvidas. Até o nascimento prematuro de Valentina, transcorreram cerca de 60 dias. “Foram os mais longos da minha vida”, diz Laurinda. “Minha filha não tinha feito o pré-natal desde o início, como é recomendado. Por causa da síndrome de Down, ela poderia ter problemas cardíacos. A gravidez era de risco”.

Apesar de o processo de inclusão dos deficientes na sociedade estar distante da perfeição, Gabriela representa uma geração que tem desbravado caminhos. Quando ela nasceu, em 1980, não era comum avistar crianças Downs nos arredores de Socorro – município paulista de 33 mil habitantes fincado na divisa com Minas Gerais, onde Gabriela cresceu – nem pelas ruas de grande parte das cidades brasileiras. “Na hora do parto, perguntei ao médico: ‘Doutor, a minha filha é perfeita?’”, diz Laurinda. “Ele me respondeu: ‘O que é ser perfeita? É ter braços? Pernas? Então ela é perfeita’”.

Embora desconfiassem do diagnóstico, nenhum profissional do hospital revelou à família a deficiência de Gabriela. Afirmaram apenas que ela tinha algum “problema genético”. Ao deixar a maternidade, Laurinda procurou ajuda. “Foi um choque descobrir que a minha filha era Down. O médico me contou da pior forma possível. Disse que ela ia ter um monte de doenças, ter problemas cardíacos e ia morrer. Até que uma amiga me alertou que eu teria de escolher entre fechá-la dentro de casa ou abri-la para o mundo. Vesti a Gabriela com a melhor roupa e saí.”

A desinformação – que em parte se deve aos próprios profissionais de saúde – perpetua um mito que a ciência já derrubou. É raro, mas mulheres Downs podem engravidar. “No mundo todo, há apenas cerca de 30 casos documentados de mulheres Downs que tiveram filhos”, diz Siegfried M. Pueschel, geneticista do Rhode Island Hospital, nos Estados Unidos, um dos maiores estudiosos da síndrome.

Os homens são quase sempre estéreis. Na literatura médica, há só três casos descritos de pais Downs. Com as mulheres é diferente. “Um terço delas é fértil. Um terço ovula irregularmente. E um terço não ovula”, afirma o geneticista Juan Llerena Junior, do Instituto Fernandes Figueira, uma unidade da Fiocruz. “Hoje, os jovens que têm a síndrome estão mais expostos à vida social e ao sexo. Muitos deles trabalham, têm amigos, saem para se divertir. Antes não era assim. Eles ficavam mais reclusos”, diz Pueschel.

A postura positiva de Laurinda, mãe de Gabriela, foi determinante no desenvolvimento da filha. Gabriela deu os primeiros passos sozinha aos 2 anos e 8 meses. Na infância, tinha medo de água e de andar de bicicleta. Afogava-se na piscina, mas pulava de novo até aprender a nadar. Ao andar de bicicleta, caía. Ralava as pernas. Subia de volta e pedalava. Apesar dos hematomas que ganhava nas aulas de judô, lutou para chegar à quarta faixa. Gabriela resistiu aos golpes – e revidou –, a ponto de pendurar uma medalha no peito. Dançou balé. Foi rainha de bateria de escola de samba e tocou tamborim numa ala dominada por homens. Gabriela fica indignada por não dirigir. “Se todo mundo pode, por que eu não posso?”, diz. Em Socorro, cidade do interior paulista onde vive, ela é mais popular que o prefeito. Todo mundo conhece um pouco de sua história.

Gabriela cresceu longe do pai, aprendendo com a mãe e os dois irmãos a não se conformar. “Um deficiente não rende se for poupado. Teria sido mais confortável ser uma mãe superprotetora. Mas eu decidi criar minha filha para o mundo”, afirma Laurinda. Até se descobrir grávida, Gabriela não parava quieta. Fazia aulas de equitação e treinava musculação. Foi na adolescência que ela começou a demonstrar interesse por meninos. Teve permissão para namorar. Para a mãe, um relacionamento estável e às vistas da família poderia afastá-la de eventuais aproveitadores.

O primeiro eleito de Gabriela foi Eric, um colega Down da Apae. O namoro correu bem durante anos. Até que Fábio, um amigo de infância que voltou a freqüentar a instituição, embaralhou a cabeça dela. Gabriela o paquerou. Ele resistiu. Gabriela insistiu. Fábio cedeu. Durante dois meses, Gabriela levou os dois namorados em banho-maria. O triângulo amoroso terminou quando Laurinda exigiu que a filha tomasse uma decisão. A opção dela por Fábio fez Eric virar uma fera. Os dois rapazes chegaram a se pegar numa festa de aniversário. Fábio ainda sente ciúme quando Gabriela encontra antigos colegas da Apae. Eric faz cara feia quando cruza o rival.

Em pouco tempo, Fábio e Gabriela estariam morando juntos. Não foi nada cuidadosamente planejado. O casal tinha dois quartos montados. Um na casa da mãe dele, a oficial de Justiça Benedita Aparecida Marchete, no centro de Socorro. Outro no sítio de Laurinda. Os 5 quilômetros que separavam as duas residências se mostraram distantes demais para os namorados. “Gabriela trouxe suas coisas aos poucos”, diz Benedita. “Um dia vinha dormir em minha casa e deixava algumas peças de roupa para trás. No dia seguinte, trazia mais. Ela foi ficando”.

As famílias de Fábio e Gabriela acharam prudente não separar o casal. Laurinda foi criticada. Mexeriqueiros da cidade comentavam que ela havia “largado” a filha. Alheios ao que os outros diziam, Fábio e Gabriela se tornavam mais e mais cúmplices. Ela faz questão de cuidar da saúde dele. Fica brava se a sogra tenta se antecipar e dar o anticonvulsivo diário para o filho. É Gabriela quem escolhe as roupas, faz a barba e lava os cabelos negros de Fábio. Ele não deixa por menos. Os 4 graus de hipermetropia fizeram Gabriela tão dependente de óculos que ela não os tirava do rosto nem para dormir – e não permitia que ninguém tivesse essa liberdade. Fábio contornou a mania. Todas as noites, espera Gabriela pegar no sono para tirar os óculos de seu rosto e soltar seus cabelos longos, lisos e loiros. Só depois ele adormece.

A chegada de Valentina, hoje com 5 meses, mudou a rotina de toda a família de Gabriela. O tio Frederico, estudante de Artes Cênicas na mineira Ouro Preto, visita Socorro com mais freqüência. Outro tio, Júnior, um dentista cheio de pacientes nas redondezas, costuma abrir espaço na agenda para zelar pela sobrinha. A avó Laurinda passou a viver com a neta. Deixou para trás um confortável sítio para morar a 70 metros da casa da filha e do genro. Tudo para que Valentina cresça junto dos pais. Apesar de viverem com a mãe dele, Gabriela e Fábio não passam um dia longe da menina. Sob a supervisão da avó Laurinda, Gabriela dá mamadeira, troca fraldas, brinca e cuida de Valentina. Fábio não costuma pegar a filha no colo porque ainda tem receio de derrubá-la. No bolso, carrega todo orgulhoso um celular com a foto de Valentina. “Ela vai aprender a chamar o meu nome”, diz.

Fábio nasceu de cesariana. Dois dias depois, começou a apresentar problemas respiratórios. Passou uma semana na incubadora. “O neuropediatra disse que ele deve ter tido uma queda abrupta de açúcar ou cálcio. Como não conseguia respirar, o lado esquerdo do cérebro foi afetado”, afirma Benedita. Fábio começou a andar depois dos 2 anos. Tem problemas motores e na fala. Sua dificuldade com as palavras (somada ao descaso de uma funcionária do cartório de Socorro) atrasou quase três meses o registro do nascimento de Valentina. Fábio não conseguia pronunciar seu endereço e o nome completo da menina: Valentina Andrade Demate e Marchete Moraes. O caso precisou parar na Justiça para que Valentina tivesse o nome do pai e da mãe na certidão. Como Fábio não sabe escrever, Gabriela assinou o documento.
UNIDOS
A avó Laurinda (à frente) foi morar com a neta a 70 metros da casa da filha e do genro

Valentina não tem síndrome de Down. Segundo Laurinda, os médicos também descartaram a hipótese de a menina ter herdado as características de Fábio, já que a deficiência dele não teria origem genética. “A probabilidade de uma mulher Down gerar um filho com a síndrome é de 50%”, diz o pediatra Zan Mustacchi, responsável pelo Departamento de Genética Clínica do Hospital Infantil Darcy Vargas, em São Paulo. Pelo menos metade dos embriões Downs não chega a nascer. Terminam em abortos espontâneos.

Estima-se que sul-americanas têm, em média, um bebê Down para cada 600 nascidos vivos. Grande parte do risco está relacionada à idade materna e é maior no início e no final da vida reprodutiva. “Sempre se falou sobre a ‘culpa’ da mulher. Hoje, sabemos que em 20% dos indivíduos Downs o material cromossômico a mais veio do pai, não da mãe”, diz Mustacchi.

Esclarecer os mitos sobre a síndrome traz benefícios à sociedade. Há cinco décadas, os Downs raramente chegavam à idade adulta. Problemas cardíacos congênitos que afetam quase metade deles e não eram diagnosticados, aliados à baixa imunidade não tratada, antecipavam-lhes a morte. Fatores como assistência médica mais eficaz e específica e maior inserção social contribuíram para que a expectativa de vida saltasse para 56 anos, em média. No Brasil, pelo menos 300 mil crianças, adolescentes e adultos têm a síndrome. Mais de 5 mil bebês Down nascem no país a cada ano.

Touch Sight, Uma Câmera para Deficientes Visuais que Mostra Imagens em Braille




A Touch Sight é apenas um conceito, mas se fosse mesmo produzida seria uma verdadeira revolução na vida de quem tem que lidar com a cegueira ou deficiências visuais. Quando você apertasse o botão para tirar a “foto”, ela gravaria três segundos de som, que depois seriam usados como referência para achar e catalogar a imagem.

A Touch Sight não teria uma tela LCD, e sim um painel flexível em Braille que mostraria uma imagem em 3D, assim o usuário “enxergaria” com a ponta dos dedos!

Os designers Chueh Lee, Liqing Zou, Ning Xu, Saiyou Ma, Dan Hu, Fengshun Jiang & Zhenhui Sun são os responsáveis por esta ótima idéia.

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Touch Messenger, um celular para mensagens em Braille
Telefone com Fotos para Idosos e Deficientes Visuais
Conceito de Scanner que Transforma Livros em Braille
Relógio em Braille

Via Yanko Design.

Clique abaixo para ver outras imagens.

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DEFICIÊNCIA VISUAL - Artigo da LER PRA VER - CEGO PRECISA SEMPRE DE AJUDA ?


VEJAM MAIS SOBRE O ARTIGO DA LERPRAVER: CEGO NECESSITA SEMPRE DE AJUDA, EM :
http://www.lerparaver.com/node/7677

Entrevista a Filipe Azevedo, deficiente visual
Submetido em Domingo, 24/02/2008 - 23:24 por Lerparaver
Com o tema: Deficiência visual
"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.", in Ensaio sobre a cegueira de José Saramago

Feche os olhos e tente permanecer assim o máximo de tempo que conseguir.

Levante-se e caminhe, circule entre a escuridão. O objectivo deste exercício poderia servir para tentar imaginar o que poderá significar ser cego. Mas não serve. Porque se ficar desorientado, ou assustado ou tropeçar sobre um qualquer obstáculo pode sempre abrir os olhos e respirar fundo. Pode eventualmente servir para imaginar que se não pudesse voltar a olhar o mundo, a sensação de medo que sentiria. A escuridão para quem vê é algo muitas vezes aterrador, encolhemos perante o gigante, tudo parece ecoar no vazio e os sons ampliam no espaço. Tomamos os sentidos como dados adquiridos e falta a sensibilidade para construir um mundo mais acessível, mais justo para todos, onde nos possamos movimentar e aceder à informação com liberdade.

Em Portugal existem cerca de 163 mil cegos, e em todo o mundo 45 milhões e 180 milhões de amblíopes.

Uma pessoa cega é aquela que não possui potencial visual mas que pode, por vezes, ter uma percepção da luminosidade.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a deficiência visual engloba duas grandes categorias: a cegueira e a amblíopia (reduzida capacidade visual - qualquer que seja a origem - e que não melhora através de correcção óptica), diferenciadas em função dos critérios de "acuidade visual" (do melhor olho após correcção) e "campo visual".

De um ponto de vista do desenvolvimento da pessoa com deficiência visual, a Cegueira pode ser de três tipos: congénita (se surge dos 0 ao 1 ano de idade), precoce (se surge entre o 1º e o 3º ano de idade) ou adquirida (se surge após os 3 anos de idade). Uma pessoa com cegueira congénita, dada a ausência ou pouco referencial visual (imagem mental), possui uma representação intelectualizada do ambiente (cores, perspectivas, volumes, relevos) tem total ausência do conceito visual.

O Filipe Azevedo que nos guiou pelo seu mundo sofre de cegueira congénita. Tem 26 anos e não tem medo da escuridão porque não tem noção da escuridão. È telefonista na TUB (Transportes Urbanos de Braga) e mora com a sua cara-metade que também é cega.

No dia-a-dia fazem tudo sozinhos. "Às 7h30 levanto-me, depois apanho um autocarro para ir trabalhar e à noite volto. Nos tempos de lazer, gosto muito de informática e de música, durante muitos anos trabalhei na música, toco piano e órgão, já toquei em casamentos e bailes. Aqui na ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) temos um grupo de teatro e música. No computador tenho total autonomia, há softwares de leitura de voz, depois podemos acupular uma linha Braille, há impressoras Braille, leitores ópticos de caracteres. Também sou formador de informática para pessoas cegas, trabalho com computadores há 14 anos".

Na circulação pela cidade, para fazer o reconhecimento dos caminhos, "primeiro vou com alguém e faço uma ou duas vezes e decoro através de pontos de referência. Um cego não consegue circular sem pontos de referência. Aponto esses pontos ou não tenho problemas em perguntar a alguém. Prefiro perguntar três vezes do que ficar em casa".

Mas nas questões que envolvem a mobilidade, são muitos os obstáculos que limitam ou dificultam a circulação na cidade. Uma das carências que o Filipe sente em termos de mobilidade é a falta de passadeiras tácteis, "são este tipo de situações que o poder politico nem sabe que existem e são coisas muito simples que fazem a diferença.

Podia investir-se mais, aquando do Euro 2004 foram construídas passadeiras com rampas mas às não dá para detectar as rampas porque há uma série de obstáculos". Relativamente a acidentes, já teve vários: "já caí à linha de comboio, faltou o piso táctil. Na altura a CP prometeu que punha o piso, e é uma coisa muito simples de fazer, mesmo em termos económicos. Aqui na estação em Braga aquilo está muito mal feito. Às vezes detecto a beira do fosso da linha com a bengala.

Quando caí tinha uma mochila que amparou a queda e não me magoei muito mas fiquei traumatizado.

Os cegos andam muito de comboio, o que lhes permite ter muita autonomia.

As estações têm a linha amarela a sinalizar, mas se tivesse um piso de borracha, ia pela gare e dava para sentir a textura".

Mas nas questões da mobilidade Filipe aponta as obras como o maior problema, "as obras são um problema gravíssimo, é o principal problema. Há uma falta de sensibilidade de quem faz as leis. E ainda por cima, há pessoas que não têm sensibilidade nenhuma, deixam as caixas das carrinhas abertas, por exemplo. Depois de eu bater lá com a cabeça passam a ter mais cuidado, mas tenho que bater primeiro. E não percebo porque é que as obras demoram tanto tempo, anos até, as ruas às vezes ficam sem os passeios, o que me obriga a ir pela estrada. Depois temos os obstáculos, as caixas de electricidade que deviam ir até ao chão (para poderem ser detectadas com a bengala) e a sinalética inapropriada". Relativamente ao mau estacionamento de veículos, "acho o cúmulo estacionarem em cima da passadeira, não consigo conceber e o estacionamento em cima do passeio é uma questão de bom senso. Com a técnica correcta é fácil de detectar um automóvel".

Ao ver uma pessoa cega ou com outro tipo de deficiência a atravessar a estrada, por exemplo, o primeiro impulso é ajudar. Mas às vezes as coisas não são como parecem. "As pessoas ao verem um cego a procurar a passadeira tentam ajudar porque pensam que ele está perdido. São já muitos anos a conviver com isto, divertimo-nos e convivemos perfeitamente com isso. Ainda há cerca de três meses, ali no Arco da Porta Nova, eu costumo subir a rua das Carvalheiras para ir para a ACAPO e nesse dia ia para a Estação e comecei a descer a rua e uma senhora começou aos gritos a tentar-me indicar o caminho porque pensou que me tinha enganado. O problema às vezes são os comportamentos pouco discretos, as pessoas são capazes de falar a altos berros quando bastava falar ao tocar no braço. Quando isso acontece, fico envergonhado, como qualquer cidadão que quando é o centro das atenções na via pública se sente mal. As pessoas devem ser mais discretas, à partida, a cegueira não acarreta outras deficiências". Apesar destas falhas Filipe classifica Braga como uma boa cidade em termos de mobilidade "acho que tem sido feito um esforço.

O centro da cidade é pedonal, não temos passeios muito estreitos como no Porto. Mas os problemas de mobilidades não afectam só as pessoas cegas.

A cidade deve ser acessível a cegos, a carrinhos de bebés, cadeiras de rodas. A camada populacional a quem dizem respeito estas questões de mobilidade é muito abrangente".

Como bom exemplo aponta o protocolo que a ACAPO celebrou com os STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto) no dia 18 de Setembro de 2007 que visa promover a mobilidade dos cidadãos com deficiência visual, em especial no que concerne ao acesso aos transportes públicos de passageiros em modo de autocarro, que têm um sistema audível das paragens.

Outra questão que aponta concerne à televisão, "devia fazer-se a legendagem de idiomas na televisão, no caso do telejornal, a legendagem em voz off deveria sobrepor-se ao original noutro idioma. Há que democratizar o acesso à informação".

Mas as falhas também existem nas associações que debatem e sensibilizam para estas questões, "o associativismo das pessoas cegas já viveu melhores dias, não existe uma concertação estratégica para sugerir, pressionar, explicar estas questões, a sua importância, aí a culpa também é um bocado nossa. E há muitas pessoas que iriam ser potenciais beneficiadas mas não fazem pressão porque não querem admitir nada, porque se calhar têm algum complexo de inferioridade".

Mas há coisas que vão mudando em termos de mentalidade, ainda que muito lentamente, "as coisas não mudam de um dia para o outro. As pessoas cegas eram vistas de um modo muito condescendente, há uns anos eram pessoas que não estavam muito integradas. As pessoas habituaram-se a ver os cegos como pessoas um bocado sem vida própria. Conheço casos de pessoas com graves problemas de socialização e o grande entrave é a família. Há casos de famílias que não deixam o filho que é cego sair, às vezes os vizinhos pressionam ´o seu filho ainda é atropelado´. Às vezes até se reabilitar passa-se muitos anos, as famílias acham que não podem fazer mais nada".

Uma pessoa cega pode estar completamente inserida numa sociedade, em termos de emprego, "antes havia a ideia que um cego só podia ser telefonista ou massagista. É um bom emprego porque não implica grandes reajustamentos ou investimentos da parte da entidade empregadora. Mas podem ser psicólogos, advogados, professores, programadores, administrativos".

Filipe desconstrói aquela ideia muito presente no senso comum de que uma pessoa cega tem os outros sentidos sobredotados, "uma pessoa cega desenvolve maior capacidade de concentração e tendência par desenvolver mais o seu tacto. Leio Braille frequentemente porque estimulei os sentidos.

Em casa tenho só um detector de luz, uma balança falante, é preciso é fazer tudo com mais concentração, mais cuidado".

Quando lhe peço para classificar em termos hierárquicos os sentidos em termos de dificuldade na ausência a resposta foi surpreendentemente: "as dificuldades que um cego atravessa são um mimo comparadas com outras deficiências, como um tetraplégico ou uma pessoa surda. O sentido mais castrador quando em falta é a audição, a seguir a falta de mobilidade dos membros, depois a cegueira. Um surdo ou um paraplégico têm que ultrapassar mais obstáculos, lutar mais. Se tudo estivesse mais preparado, teriam menos dificuldades. Há rampas, por exemplo, que parecem o Monte Everest".

Relativamente aos cães guia, que acabam por ser uma das imagens "de marca" Filipe afirma que "cão guia não vai dar às pessoas mais mobilidade, os técnicos da escola só dão os cães a quem domina as técnicas de mobilidade, as vantagens são que eles detectam passadeiras, afastam dos obstáculos, decoram os caminhos, mas nós também. Um cão precisa de muitos cuidados, admito que é útil, mas a lista de espera para ter um é muito grande e acho que muitas vezes avaliam mal os casos, dão os cães a pessoas que não têm perfil".

Esta é uma pequena parte do mundo do Filipe. "A forma como criamos o mundo não é real. Eu sempre gostei muito de futebol e durante muitos anos nunca soube como era um campo de futebol, e quando fui a um campo soube que imaginei de maneira completamente diferente. Na altura em que comecei a andar de bengala o meu professor disse- me ´vais dar muitas cabeçadas por aí, mas o que importa é chegares onde tu queres.´"

Laura Machado
Nuno F. Veiga

Fonte: Semário "O Balcão"


Um estudante de design da Muthesius Academy of Art and Design na Alemanha, Sebastian Ritzler, criou uma bengala inteligente para deficientes visuais. A Mygo usa uma câmera-sensora para medir e analisar o chão e mandar as informações coletadas para o fone de ouvido sem fio do usuário.

A bengala tem uma pequena roda na ponta que ajuda na direção indicando o caminho. A Mygo tem altura ajustável, é resistente a impactos e à prova d’água. A bengala funciona durante 6 horas usando uma bateria de lithium-ion.

A Mygo, por enquanto, é um conceito e ainda não está sendo produzida. O criador quer produzir ela por volta de U$200 para que esteja ao alcance de todos.

Veja a reportagem na BusinessWeek

Via Gizmodo e Gadget Lab.

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